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    Rio das flores -

    Miguel Sousa Tavares

    Companhia das Letras
    2008
    624 páginas
    20h 48m
    ISBN-13: 9788535912234
    Português
    4.1
    298 avaliações
    Leram490Lendo40Querem380Relendo2Abandonos14Resenhas23
    Favoritos36Desejados380Avaliaram298

    A partir de uma minuciosa pesquisa, Miguel Sousa Tavares reconstrói, em Rio das flores, a atmosfera política, social e cultural de Portugal e do Brasil entre os anos de 1915 e 1945. Ao narrar a saga de uma família de latifundiários portugueses, faz um belo painel histórico e uma crítica aos totalitarismos da época. Com grande habilidade em casar ficção e história, Miguel Sousa Tavares, autor do aclamado Equador, faz neste seu segundo romance uma crítica a tudo o que tolhe a liberdade, seja no plano mais íntimo ou nos vastos territórios da política e da sociedade de uma maneira geral. A narrativa, que conta a história de três gerações da família Ribera Flores, se inicia em 1915 com a primeira República portuguesa e os embates com os monarquistas, percorrendo os principais acontecimentos políticos, sociais e culturais que marcaram Portugal, Espanha, Alemanha e o Brasil até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Filhos do monarquista e grande proprietário de terras alentejano Manuel Custódio, Diogo e Pedro protagonizam pólos opostos no seio familiar, mas que são reflexo dos acontecimentos externos. O primeiro, intelectual e absolutamente contrário aos totalitarismos, quer a mudança e decide deixar a mulher, as terras do clã e o Portugal salazarista para começar vida nova ao lado de uma mulata numa fazenda no Vale do Paraíba, no Brasil, em pleno Estado Novo. Pedro, no entanto, quer assegurar a permanência de sua posição de latifundiário. "Tu podes fazer este papel porque está alguém aqui a manter as coisas", diz a Diogo. Chega a aderir à União Nacional e lutar ao lado dos franquistas na Guerra Civil Espanhola. Por meio de uma prosa envolvente e rica em detalhes, o autor traça, através da história dos Ribera Flores - com suas tradições, histórias de amor e rupturas -, um grande painel que comporta as principais contradições e acontecimentos da primeira metade do século XX.

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    Ladyce West01/01/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O novo e velho mundos de Miguel Sousa Tavares

    Às vezes é necessário uma imagem para me ajudar a pensar sobre um assunto. Há dois meses li o maravilhoso livro do autor português Miguel Sousa Tavares lançado no Brasil no primeiro semestre deste ano, pela Cia das Letras que leva o nome de RIO DAS FLORES. E já há algum tempo que queria escrever umas notas a respeito do livro mas não achava o foco. Até que me deparei, na internet, com este trabalho em sépia de um autor que infelizmente desconheço representando dois meninos. Imediatamente me lembrei dos irmãos Diogo e Pedro. Por casualidade, recentemente li outros livros cujos personagens centrais são pares de dois irmãos: A montanha e o rio, de Da Chen (Nova Fronteira) e DOIS IRMÃOS, de Milton Hatoum (Cia das Letras), mas a imagem não me lembrou de nenhum deles exceto dos irmãos de Rio das Flores. RIO DAS FLORES não desaponta. É um livro tão bom quanto Equador. Para aqueles que temiam, como eu, ler o segundo livro de Miguel Sousa Tavares, receando que o resultado do novo romance não pudesse se comparar ao do primeiro, sosseguem. Você vai gostar de RIO DAS FLORES. O bom escritor continua; sua mágica maneira de narrar persiste; e as referências históricas que tanto me haviam encantado em Equador, continuam tão boas quanto confiáveis. Em RIO DAS FLORES acredito que Miguel Sousa Tavares tenha mostrado a grande divisão, a grande separação, no século XX, entre dois mundos lusófonos – Portugal e Brasil. Mas acredito também que o paralelismo entre Diogo e Pedro, caracteriza muito bem as forças que levam às grandes diferenças entre o Velho e o Novo Mundos. Ambos os irmãos amam apaixonadamente a terra em que nasceram. Mas enquanto Pedro não suporta deixá-la, Diogo enfastiado com a docilidade daqueles que aceitam o governo de Salazar, vai embora de Portugal e constrói uma nova, diferente, audaciosa vida no Brasil. Na primeira semana de setembro, quando ainda tive alguns momentos para reler certas passagens de RIO DAS FLORES, fiquei convencida de que a visão de Miguel Sousa Tavares, como a interpreto, está correta. Só mesmo na primeira metade do século XX, ao completarmos cem anos da nossa independência de Portugal, é que nós no Brasil, pudemos forjar uma identidade completamente brasileira. Uma identidade baseada nas características daqueles que vieram viver em nosso seio, dos imigrantes de sociedades em outros mundos, que não tinham espaço para sua população, que não tinham responsabilidade sobre aquela população e que estavam decerto à beira da falência cultural como as duas Grandes Guerras do século passado vieram a provar. Só mesmo no século XX, na primeira metade do século, nós brasileiros, viemos a aceitar todas as características do Novo Mundo, jogando fora, pela janela, valores que nos haviam sido impingidos por uma cultura dominante. Aceitamos, finalmente, os valores forjados pelos imigrantes que aqui chegaram, dispostos a jogar fora as regras e os valores das sociedades de onde vieram, para construir algo de novo, de sólido, alguma coisa melhor do que havia nos países que deixaram. A leitura deste livro leva qualquer brasileiro a refletir sobre a história do país e do mundo na primeira metade do século passado. A visão é mais complexa do que eu esperava, muito mais rica e também muito mais esperançosa. 14/09/2008

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    Miguel Andresen de Sousa Tavares

    Escritor e jornalista português, filho da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen e do advogado Francisco Sousa Tavares. Começou a sua vida profissional pela advocacia, que abandonou em favor do jornalismo de onde passou para a escrita literária. Tem uma obra diversificada, essencialmente marcada por crônicas e reportagens, mas fez já outras digressões literárias, nomeadamente com a publicação de um livro infantil, de vários contos e de romances. <i>Equador</i>, de 2004, foi um best-seller, estando traduzido em mais de uma dezena de línguas estrangeiras. <i>Rio das Flores</i>, em 2007, teve uma primeira tiragem de 100 mil exemplares. Recebeu o Prêmio de Jornalismo e Comunicação Victor Cunha Rego, em 2007.

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    34 Seguidores

    Miguel Andresen de Sousa Tavares