Os desejos e as relações humanas podem ser aterrorizantes
Esse livro é uma grande sopa de desejos carnais, poesia sexual, ânsia por paixão, pelo corpo. O narrador ama e odeia Vincent. Vincent não sabe o que quer do narrador. Hora é só sexo, hora é carência, hora é desdém, hora cogita amar, hora é repulsa, hora é violento, hora humilha… é uma loucura tudo isso. A relação dos dois é fadada ao fracasso, ainda mais porque eles estão ligados às drogas. Se amam quando estão drogados: “Encontrei Vincent graças a um pozinho branco compartilhado”. Fora que a diferença de idade não está ali como um adereço. Vincent era uma criança quando o narrador o conhece e o vê de forma diferente. O que é muito problemático. Senti muita dó de Vincent, porque ele é uma pessoa perdida que busca consolo nas drogas, e essa é a sua realidade. Fora que tem apenas 17 anos e já está todo ferrado da cabeça e com enfermidades. O narrador não consegue acabar com sua relação com Vincent, mesmo com seus desejos dúbios dizendo para terminar com tudo, mas Vincent é como uma droga ou algo magnético para ele. É o passo a passo para o caos. Chega a um ponto em que surgem lampejos de pensamentos do narrador em que ele anseia morrer com Vincent, porque não suporta mais esses sentimentos o consumindo. O narrador expressa seus pensamentos sobre Vincent sem passar por nenhum pudor. É uma exposição de situações, pensamentos e desejos da forma mais livre possível, longe de julgamentos pudicos. Resumindo toda essa bagunça que eu escrevi: o narrador idealiza demais a relação entre ele e Vincent, enquanto na realidade recebe rejeição e sofrimento. O mesmo para Vincent, que, mesmo não sendo flor que se cheire, ainda sofre de certos abusos do narrador. Pois, como eu disse, a diferença de idade é gigantesca e disso não pode sair coisa boa. Como eu disse, uma relação que é direcionada para a destruição de ambos. Me senti em um frenesi de situações desgastantes, mas não consegui parar de ler.

