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    O Segundo Sexo - Fatos e Mitos

    Simone de Beauvoir

    Difusão Européia do Livro
    1970
    309 páginas
    10h 18m
    ISBN-10: 8520908063
    Português Brasileiro
    4.4
    1610 avaliações
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    Favoritos141Desejados9785Avaliaram1610

    Lançado numa época em que o termo "feminismo" nem sequer havia sido cunhado, este livro pode ser considerado, hoje, o marco inicial da prática discursiva da situação feminina. Neste primeiro volume, Simone de Beauvoir aborda os fatos e mitos da condição da mulher numa reflexão apaixonante que interessa a ambos os gêneros humanos. Segundo volume do livro que examina a condição feminina em todas as suas dimensões: a sexual, a psicológica, a social e a política. Os caminhos que podem levar à libertação de mulheres e homens. Complementação de uma obra que, em escala mundial, inaugurou o debate sobre a situação da mulher. Em 1949, uma mulher toma consciência da alienação da condição feminina. Denuncia com virulência, através de um estudo muito exaustivo, a dependência do segundo sexo. o Segundo sexo é um estudo sobre a mulher e o seu papel na sociedade. Numa perspectiva histórica e mythique, seguidamente apoiando-se sobre experiências vividas, Simone de Beauvoir mostra como, de uma maneira ou outra, a mulher sempre foi o escravo do homem. Recusa a ideia de uma natureza feminina no entanto assim encensée na literatura. Com efeito, o homem tenta fazer esquecer à mulher a sua dependência atribuindo um encanto específico ao seu sexo. Nada de naturalidade nem biológico acantona a mulher ao seu papel, a sua condição que é um fenómeno meramente cultural. Saber assim que não é a inferioridade das mulheres que determinou a sua insignificância histórica mas a sua insignificância histórica que dedicou-o à inferioridade. Que seja mãe, esposa, rapariga ou prostituta, a mulher define-se apenas em função do homem e nunca para a própria: encarna o outro. Esta diversidade posta a priori provoca a impossibilidade de relações de reciprocidade e de igualdade entre os homens e as mulheres. Frequentemente assimilada à matéria metáforas féminité emprestam geralmente ao seu vocabulário às matérias orgânicas e vegetais - a mulher aspira tornar-se por último uma consciência autónoma. É de uma igualdade total entre os dois sexos que nascerá a liberdade da mulher. Este imponente estudo suscitou tollé geral à sua saída em 1949. é após 1970 que a obra conheceu um enorme sucesso que faz de Simone de Beauvoir um théoricienne do movimento feminista. o estilo da obra, embora controvérsia, seja apagada, procurando sobretudo colocar a tónica sobre a ideia. O interesse deeste estudo descansa sobre as qualidades de reflexão e grande érudition do autor que se apoiava já sobre os dados de Lacan ou de Lévi-Strauss. Embora teórica na sua forma, apoie-se sobre uma multidão de exemplos concretos e ofertas das conclusões dos mais realistas. Assim, aparece que é pelo trabalho que a mulher cruzou em grande parte a distância que separava-o do homem, e que é o trabalho que poder único garantir-lhe uma liberdade concreta. as obras de Simone de Beauvoir são marcadas fortemente pelo sistema filosófico de Jean-Paul Sartre. O Segundo sexo parece assim responder ao desejo sartrien de uma literatura que aja sobre o mundo.

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    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin05/01/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Bíblia feminista

    Por onde eu começo? Falando que finalmente achei uma bíblia pra chamar de minha? Como essas edições estão divididas em dois livros, esse que acabei de ler equivale ao Antigo Testamento, rá! O Livro é dividido em três partes: Parte 1 – Destino: Dividido em três capítulos, no primeiro fala-se sobre as bases biológicas das diferenças entre homens e mulheres e o quanto essas diferenças são ínfimas para justificarem um tratamento social diferenciado. No segundo é específico para destruir a teoria psicanalítica como uma teoria válida aos estudos de gênero e já evidencia uma simpatia de Beauvoir por Alfred Adler e um certo desprezo por Sigmund Freud, mesmo porque Adler era um dos raros feministas das primeiras décadas da psicologia. No Terceiro capítulo, Beauvoir aborda o feminismo do ponto de vista do Materialismo Histórico e tudo que é incompatível com ele, muito embora Marx e especialmente Engels vissem na mulher um sujeito tão oprimido quanto qualquer operário. Parte 2 – História: Dividido em 5 capítulos que falam do tratamento da mulher através da história e filosofia, ficamos sabendo de indivíduos que foram realmente sexistas e até misóginos como Aristóteles, Hegel, Rousseau, Comte, Proudhon, Napoleão, Hitler e Pitágoras, aqui passa-se a falar da Mulher sendo sempre considerada O Outro e não um Sujeito. Ao passo que se cita alguns pensadores que foram homens feministas como Diderot, Voltaire, Engels, John Stuart Mill, Lincoln, Lênin e Stendhal. Parte 3 – Os Mitos: Dividido em três capítulos, no primeiro Beauvoir se dispõe a falar dos arquétipos femininos que se concretizaram em função dos homens, desde arquétipos religiosos até puramente mitológicos que foram apropriados pelos homens para serem usados na opressão feminina. No segundo capítulo são analisados 5 autores e como o feminino é tratado em suas respectivas obras, o primeiro é Motherlant (que eu não conhecia e pelo que Beauvoir falou nem tenho pretensão de conhecer) que se enquadra como misógino, o segundo é D.H. Lawrence que é enquadrado como falocêntrico, o terceiro é o Paul Claudel (o irmão de Camille) que se enquadra como sexista bíblico, o quarto é o Breton se enquadrando como preservador da mulher enquanto Outro e finalmente, o quinto é Stendhal que usava sua literatura para descrever mulheres completas e plenas como Sujeito independentes do Homem. No terceito capítulo Beauvoir usa para colocar Motherlant, Lawrence, Claudel e Breton num mesmo balaio, o de não conseguirem se abster de colocar a mulher como um ser colocado no mundo para ser uma extensão dos homens, ao passo que Stendhal dá autonomia à mulher. Enfim, eu tagueei esse livro com o pouco usado fucking masterpiece, porque simplesmente é uma obra prima e a Simone de Beauvoir é um gênio, sabendo dosar a teoria de Merleau-Ponty, Heidegger e, óbvio, Sartre para o deleite da causa feminista. “Reconhecer um ser humano na mulher não é empobrecer a experiência do homem: esta nada perderia de sua diversidade, de sua riqueza, de sua intensidade, se se assumisse em sua intersubjetividade; recusar os mitos não é destruir toda relação dramática entre os sexos, não é negar as significações que se revelam autenticamente ao homem através da realidade feminina; não é suprimir a poesia, o amor, a aventura, a felicidade,o sonho: é somente pedir que as condutas, os sentimentos, as paixões assentem na verdade”. - Simone de Beauvoir

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