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    Adicção - Um estudo sobre passividade e violência psíquica

    Vanuza Monteiro Campos Postigo

    Juruá
    2010
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    A psicanálise vem sendo convocada a investigar o significativo incremento de quadros clínicos que apresentam uma problemática marcada por atuações e passagens ao ato que convocam principalmente a utilização do corpo em detrimento da representação psíquica e da simbolização, bem como um predominante esvaziamento de sua interioridade e de seu discurso. Os chamados casos difíceis ou limites apresentam diversas configurações: somatizações e adicções são exemplos de quadros que envolvem uma dimensão compulsiva e disruptiva. A questão do incremento dessas formas de sofrimento nos incita a refletir na relação entre e a exacerbação dessas novas patologias e o contexto contemporâneo. Afinal, a psicanálise considera a constituição da subjetividade em seu entrelaçamento com a cultura e indissocia o sujeito humano das influências e exigências que a cultura lhe faz. Determinados elementos da atualidade vêm se destacando neste contexto como a cultura do narcisismo, a difusão do individualismo, a valorização da imagem, do externo - característica da sociedade do espetáculo -, uma cultura do consumo marcada pela efemeridade dos objetos, do hedonismo. De alguma maneira, poderia estes elementos ensejar a transformação do próprio sujeito e de suas relações em objeto? Levando em conta esta contextualização e os novos parâmetros estabelecidos pelo contemporâneo, a autora se dedica a um estudo intrapsíquico dessas questões, privilegiando uma análise sobre as adicções, de como um modo de relacionamento compulsivo com um determinado objeto que assume lugar de prevalência na vida do sujeito. Qual o estatuto que este modo de relacionamento escravizante - addictu - assume para o sujeito? Trata-se aí de uma relação sujeito/objeto comprometida, de difícil de manejo, onde a dificuldade é centrada, principalmente, na delimitação e sustentação dos limites entre o sujeito e o objeto. Através o estudo da adicção e dos modos compulsivos de relacionamento com os objetos, o livro nos insere no modo de funcionamento de uma relação marcada pelo traumático e convida o leitor a problematizar os impasses que esses casos trazem para a clínica, bem como a reinterrogar o manejo destas situações no setting.

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