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    Senhorita Júlia -

    August Strindberg

    Global
    2008
    59 páginas
    1h 58m
    ISBN-13: 9788526012868
    Português Brasileiro
    3.4
    64 avaliações
    Leram137Lendo13Querem68Relendo1Abandonos0Resenhas9
    Favoritos2Desejados68Avaliaram64

    Cultuado como um dos melhores trabalhos da dramaturgia mundial, Senhorita Júlia retrata a explosão dos desejos no cotidiano, os impulsos femininos, a tirania das relações burguesas e as brechas entre o real e o imaginário.

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    André Ferreira picture
    André Ferreira30/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Senhorita Júlia: Um Clássico da Dramaturgia

    A dramaturgia oferece à literatura muitas obras de extensa importância, com seus significados e seu própria método de organização. O teatro é a “arte mãe” de muitas das expressões artísticas, podemos dizer, contribui substancialmente pra literatura assim como a literatura contribui substancialmente para dramaturgia. Publicado originalmente em 1888 Senhorita Júlia é um clássico da dramaturgia contemporânea escrita pelo profícuo dramaturgo sueco August Strindberg. Dotada de uma tentativa de modernizar a forma do teatro contemporâneo Strindberg constrói uma peça que conta a decadência de uma família maculada pelo falso moralismo e pela pretensa ingenuidade de um amor romântico. Contando apenas com 3 personagens a peça aborda a vida da Senhorita Júlia, uma jovem de 25 anos, filha de um conde sueco, que diante do despeito se "apaixona" pelo criado Jean, de 30 anos. A outra personagem, a ex-noiva de Jean, a cozinheira da casa do Conde, Cristina, compreende o papel secundário de uma narrativa quase que completamente formada por monólogos ou diálogos de caráter pessoal dos personagens. O tema é essencialmente a decadência social, a dualidade entre o "superior" e o "inferior", o "bom" e o "mau", a dualidade da natureza humana, o homem e a mulher. Crê-se que a história foi tirada de uma “história real” que aconteceu na Suécia do final do século XIX. Vários pontos a se destacar na formação do enredo e escrita. O caráter curto da peça é uma forma de apresentar o leitor mais o conteúdo dramático "Strindberguiano" de escrever e fazer teatro. Também apresenta a ideia de comparação, entendendo que a dualidade humana, nesse sentido, é uma espécie de contradição necessária à formação do caráter e da ideia de felicidade. O texto tenta fugir de rótulos entendendo a incompletude e a multiplicidade da alma humana. Apresenta uma heroína volátil, Júlia como uma mulher que se apresenta forte e importante na mesma medida que expõe suas fraquezas e seus aspectos mais vis. Apresentado vários pontos de vista, o final fica a "critério do espectador". A narrativa é característica de uma peça, fluída, rápida, extensa em diálogos. É importante ressaltar o caráter enxuto do enredo e dos personagens, que permitiu um desenvolvimento do caráter "psicossocial" dos personagens. A rapidez apresenta a tentativa experimental de trazer uma peça mais próxima do que se concebe por "modernidade". O paradoxo de seus personagens, muitas vezes se mostrando indecisos e contraditórios, é uma das principais características da história. Uma peça moderna aos moldes da tragédia Antiga, que une elementos interessantíssimos de se abordar. Um deleite pra quem ama teatro e literatura.

    29 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 64
    • 5 estrelas8%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas2%
    Johan August Strindberg profile picture

    Johan August Strindberg

    Johan August Strindberg, pintor, escritor e dramaturgo sueco, é autor, entre outros, de O Pelicano. Figura ao lado de Henrik Ibsen, Søren Kierkegaard e Hans Christian Andersen como o maior escritor escandinavo. É um dos pais do teatro moderno. Seus trabalhos são classificados como pertencentes os movimentos literários Naturalismo e Expressionismo. As suas primeiras peças teatrais denotam influências de Ibsen e Kierkegaard e aí transparece uma personalidade amarga e torturada: O Livre Pensador (1869), Hermion (1869), O Professor Olof (1872), A Viagem de Pedro Afortunado (1882) e A Mulher do Cavaleiro Bent (1882). O fracasso do seu primeiro matrimónio com Siri von Essen (1877-1891) deu à sua obra um tom misógino, que está patente, em especial nos contos de Esposos (1884) e nos dramas de carácter naturalista Camaradas (1897), O Pai (1887) e A Menina Júlia (1888), a sua obra mais importante.

    14 Livros
    34 Seguidores
    Sodermanland, Suécia

    Johan August Strindberg