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    Atlas (Biblioteca Borges) -

    Jorge Luis Borges

    Companhia das Letras
    2010
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788535917123
    Português Brasileiro
    4.1
    72 avaliações
    Leram110Lendo4Querem101Relendo1Abandonos2Resenhas2
    Favoritos14Desejados101Avaliaram72

    Em 1984, Borges reuniu pela primeira vez num volume os relatos de suas andanças pelo mundo. Na companhia de Maria Kodama, autora das fotografias que ilustram o livro. O resultado é uma coletânea ímpar de breves textos permeados pelas lembranças dos locais que amorosamente visitou. Sabemos, pela Odisseia, que a viagem é um dos motivos mais antigos da tradição literária do Ocidente, e quem viaja tem sempre alguma história para contar, conforme diz um velho provérbio alemão. Especialmente quando o viajante é Borges: ao contrário do turista apressado, que quer ver tudo sem compreender nada do país visitado, ele escolhe uma paisagem urbana ou um elemento da natureza, para então criar uma breve história fundamentada num mito. Assim, é capaz de desenvolver analogias simbólicas a partir de um objeto banal, um simples mas delicioso brioche, por exemplo. A essas impressões de suas inúmeras viagens na companhia de María Kodama, Borges juntou outro tesouro inesgotável: o da memória dos livros que percorreu ao longo dos anos, de modo que vastas sombras vêm se interpor entre o muito que o autor recorda e o pouco que pôde perceber nos dois ou três dias povoados de circunstâncias em que se deteve neste ou naquele lugar, como nos conta em sua visita à Irlanda, impregnada para ele das imagens de seus grandes escritores, como sente ao percorrer as ruas que os personagens do Ulisses continuam percorrendo. Os mares, céus e noites das viagens aguardaram aqui um lento e silencioso trabalho de decantação no fundo escuro da experiência até se cristalizarem em imagens. Ilustrado com fotografias de María Kodama, Atlas foi o último livro publicado em vida pelo escritor argentino.

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    Alberto dos Santos30/03/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Fotografias e relatos de viagem entremeados com poemas e reflexões sobre a vida e a morte.

    Esse Atlas, que Borges assina em coautoria com Maria Kodama, é um misto de relato de viagens, livro de fotografia, crônica, poesia, autoficção. Uma obra diferente do conjunto do trabalho de Borges, e não tão magistral como o resto dessa obra. Há belos poemas, mini-contos bastante inspirados, crônicas contendo alguns lampejos interessantes, mas há também passagens menos inspiradas. As fotos não são especialmente enriquecedoras. Fica a impressão de algo menor na comparação com os grandes voos de que Borges foi capaz antes. Recomendado para fanáticos por Borges, e pessoas que se interessam pela vida pessoal dos seus autores preferidos.

    5 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 72
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas0%
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    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo profile picture

    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo

    Mais conhecido como Jorge Luis Borges, foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino. Em 1914 sua família se mudou para Suíça, onde ele estudou e viajou para a Espanha. Em seu retorno à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prêmio international de editores, o Prêmio Formentor. Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente no Estados Unidos e Europa. Borges era fluente em várias línguas. Morreu em Genebra, na Suíça, em 1986. Sua obra abrange o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". Os poemas de seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio. Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo "boom latino-americano" e o sucesso de Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. O escritor e ensaísta John Maxwell Coetzee disse sobre ele: "Ele, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos".

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    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo