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    A louca e o santo -

    Catherine Clément

    Relume-Dumará
    1997
    271 páginas
    9h 2m
    ISBN-10: 8573161027
    Português Brasileiro
    4.5
    4 avaliações
    Leram8Lendo7Querem105Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados105Avaliaram4

    Uma filósofa francesa e um psicanalista indiano resolvem estudar uma louca internada em Paris, no serviço de Pierre Janet, e um grande místico indiano no gozo da sua liberdade. Uma estranha idéia e um resultado surpreendente. Madeleine e Ramakrishna são como "gêmeos espirituais" criados em ambientes totalmente diferentes. Visões, jejuns, fomes devoradoras, paradas respiratórias intermináveis, longas imobilidades, resistência à dor, êxtases. Eles apresentam os mesmos sintomas, mas, no séc. 19, a França e a Índia não reservam aos místicos o mesmo destino. Enquanto Madeleine é submetida à tirania da razão, enjaulada e cercada de cuidados até que seu misticismo seja aniquilado, Ramakrishna, vivendo em uma cultura onde a razão importa pouco, encontra o reconhecimento devido a um misticismo resplandecente. Madeleine apresenta perturbações mentais que se assemelham aos êxtases religiosos descritos por Teresa d'Ávila, considerada santa pela igreja e dignificada pela Psicanálise, e Ramakrishna confessa ter atravessado episódios psicóticos e os distingue de seus estados místicos. Quais as fronteiras entre santidade e loucura? Como tornam-se os místicos igualmente mestres da sua loucura e da sua razão, ao passo que o esquizofrênico permanece escravizado? Quais as fronteiras entre o corpo e o espírito? Quem obedece a quem e como? Ao responder estas questões, Catherine Clément e Sudhir Kakar apresentam articulações entre psicanálise, cultura, sociedade e religião; mostram as ambigüidades da loucura e da santidade; as parcialidades próprias a uma filosofia ocidental e a uma psicanálise hindu e recuperam Pierre Janet, aluno de Charcot e um dos mestres da psiquiatria francesa e firme adversário da psicanálise. Um livro que coloca questões que fazem trabalhar o pensamento.

    Resenhas (1)Ver mais
    Christiane Depooter picture
    Christiane Depooter24/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Catherine é uma filósofa, historiadora, escritora francesa e Sudhir um psicanalista indiano que resolvem estudar e comparar uma louca internada em Paris no Salpêtrière sob os cuidados do psiquiatra Pierre Janet e o grande místico indiano Ramakrishna. Ambos viveram no século XIX, porém o fato de estarem em lugares diferentes e inseridos em culturas diferentes acaba por fazer com que um seja um santo e a outra uma louca. Em Paris, Madeleine após ser presas várias vezes pelo que era considerado vadiagem, e tendo acrescido a sua ficha na polícia outros delitos, inclusive prostituição, pelo simples motivo destes delitos se enquadrarem no motivo, acaba sendo internada no Hospital Psiquiátrico Salpêtrière. Pode-se dizer que sua sorte foi ter tido como médico Pierre Janet que cuidou dela, mas por outro lado, o fato dela ser uma mística como foram outras mulheres na Idade Média como Santa Teresa D'Ávila, consideradas santas pela igreja, apesar do médico até o perceber e chegar a dizer que ela nasceu no lugar errado e na época errado, não é levado em conta, Janet quer curá-la e devolvê-la ao mundo como uma pessoa normal, normal mas infeliz, e ele o consegue. Já na Índia temos Ramakrishna que mesmo tendo os mesmos "sintomas" que Madeleine, por viver num país com uma cultura muito diferente, vira um santo, guru. O livro faz o percurso de análise de ambos os comparando e os diferenciando, demonstrando que loucura é algo que tem a ver com o lugar e o tempo, com a cultura. Clément nos faz o relato de Madeleine e Kakar de Ramakrishna, depois eles unirão seus comentários e análises e levando em conta a psicanálise poderão nos mostrar um quadro diferente do que normalmente teríamos ao ler a vida de ambos, mas separadamente e sem juntá-los. Há pontos comuns na infância de ambos, relação com a natureza e principalmente Clément e Kakar falam da bissexualidade envolvida no misticismo, que não tem nenhuma relação com a sexualidade genital, mas é psíquica. Na infância o psicanalista Winnicott fala do espaço transicional, que ocorre quando a criança após ser "afastada" da mãe, saindo da fusão inicial, busca o substituto através da ilusão, seja com um pano, um ursinho, um objeto que ela elege, até conseguir se separar e ter seu eu. O êxtase místico ocorre neste mesmo espaço, espaço este que ainda é bissexual, uma vez que a criança ainda não tem noção de seu sexo, nem fez a escolha, mesmo que já seja determinado biologicamente, mas em psicanálise a sexualidade não é isto, mas sim a escolha que fazemos por um sexo, feminino ou masculino, a constituição deste sexo. É um espaço de vazio que se preenche com o êxtase. Madeleine atinge o êxtase espontaneamente, enquanto que Ramakrishna o faz quando o deseja, ele se preparou para isto, apesar de que no início sua primeira visão também foi espontânea. Há diferenças entre o que chamam de visão e alucinação, apesar de ser muito próximo, mas os místicos tem visões. Apesar de ser um surto psicótico, não é o mesmo, eles não são loucos, nem doentes mentais. O êxtase é vivido com todo o coração, com a alma e com toda força, há um gozo, volúpia, ao contrário da loucura que na sua pobreza precisa criar alucinações e delírios para preencher o vazio, para restituir algo. Ao final do livro também temos uma análise da transferência e do papel do médico, do psicanalista e do guru.

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    Catherine Clément

    Catherine Clément nascida em 1939, na França é autora de mais de trinta livros. Após a publicação de uma exigente obra ligada à sua formação de filósofa e historiadora, converteu-se, com grande sucesso, à ficção.As suas obras estão hoje traduzida para 24 línguas.

    13 Livros
    19 Seguidores

    Catherine Clément