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    O Discurso Pornográfico -

    Dominique Maingueneau

    Parábola
    2010
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-13: 9788579340185
    Português Brasileiro
    4.4
    29 avaliações
    Leram49Lendo7Querem58Relendo0Abandonos1Resenhas2
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    A escrita pornográfica é um discurso compensatório, reativo, que se nutre da inquietude gerada pela diferença sexual, com o homem confrontado com uma sexualidade feminina que ele não domina com suas categorias. Na pornografia, o homem constrói um universo onde tudo é feito a sua medida. Mas, para o autor, não é possível dissertar sobre a pornografia como se disserta sobre qualquer outro tipo de paraliteratura. Afinal, como ignorar que o simples fato de sua existência é problemático para a sociedade? O autor invoca a autoridade de Freud para admitir que o laço social implica uma repressão da sexualidade, precisamente a repressão de que se alimenta a pornografia. Para ele, seria preciso imaginar uma transformação radical daquilo que se chama sociedade para que a pornografia perdesse todo valor transgressivo. Esta obra mostra que, para além dos problemas éticos suscitados pela difusão massiva da pornografia, a experiência clínica e a história mostram que, em matéria de sexo, o amor e o ódio, o desejo e sua repressão trocam facilmente de lugares, quando não são indistinguíveis. A exaltação da liberdade sexual pode se transformar em seu contrário, sem sair da órbita da sexualidade que, por natureza, é capturada pelo interdito. Maingueneau acredita, então, em duas coisas - a literatura não está mais no centro da produção pornográfica, e a produção pornográfica, que prosperou em um mundo dominado pelo masculino, evoluirá em função da maneira segundo a qual se definirão as relações entre os sexos.

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    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin01/04/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    No primeiro capítulo o autor dá as nuances gerais do que vem a ser o discurso pornográfico enquanto gênero. No segundo capítulo há as distinções entre o obsceno (relacionado ao chiste freudiano e oralidade), erótico (sentido figurado e estetizado) e o pornográfico (linguagem mais cru). O terceiro capítulo divide a pornografia em três instâncias: canônica (onde o desejo é satisfeito reciprocamente), tolerada (há reciprocidade, mas não é vista como normatizada, por exemplo, o sadomasoquismo) e a interdita (que não é juridicamente legal, nem normatizada e nem provoca prazer recíproco, como por exemplo o estupro e a pedofilia). O quarto capítulo discorre sobre as restrições narrativas do relato pornográfico, de como as cenas que amarram as sequências de pornografia são irrelevantes para o leitor em busca do sexo puro numa espécie de jogo fort-da freudiano, onde o leitor mantem o controle do pseudorelato trazendo para si as cenas pornográfica e se distanciando das cenas que amarram a narrativa. O quinto capítulo explana os elementos básicos da narrativa pornográfica, a dinâmica dos afetos (visualização do leitor), o ponto de vista focado dentro da narração e o tipo de vocabulário empregado constroem o tipo de discurso visando excitar o leitor. O sexto capítulo adentra a transição do discurso pornográfico para o da indústria pornô ocorrido no século XX, primeiro por parte do cinema, depois do vídeo até chegar no discurso fragmentário da Internet. No sétimo capítulo é discutida a literatura contemporânea, com ênfase nas passagens pornográficas de autoras que apelam para o discurso pornográfico como uma forma feminista de antítese do discurso falocêntrico da pornografia masculina, como em Breillat, Millet, Zwang, Duriès, Jelinek. E a conclusão encerra com considerações freudianas de como o homem faz a clivagem entre mãe e puta na sua visão sobre as mulheres e como isso influência na confecção da pornografia falocêntrica, o autor ainda dá um lufar de esperança otimista com a consideração de que as mulheres estão cada vez mais rompendo a dominação de gênero fazendo de sua escrita um dispositivo para a sexualidade feminina.

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    Dominique Maingueneau

    Dominique Maingueneau é um linguista e professor da Universidade de Paris IV Paris-Sorbonne, onde exerce a função de pesquisador no Centre d'étude des discours, images, textes, écrits, communications (CÉDITÉC). Também é membro do Institut Universitaire de France. Sua pesquisa, iniciada nos anos 1970, concentra-se na Linguística e Análise do discurso franceses. O autor trata deste último tema tomando como ponto de partida a inseparabilidade do texto e do quadro social de sua produção e circulação. Ainda afirma não haver um plano do discurso que seja central, insistindo que tudo o que o constitui deriva dos mesmos fundamentos. Assim, com ampla bibliografia publicada, o trabalho de Maingueneau associa um olhar pragmático sobre o discurso com teorias da enunciação linguística, conferindo importante contribuição para a teoria literária e a análise do discurso, pois percorre e indica os diferentes caminhos do texto e seu contexto, além de teorizar sobre as formas de interpretação.

    16 Livros
    2 Seguidores

    Dominique Maingueneau