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    A vida breve -

    Juan Carlos Onetti

    Editora Planeta
    2004
    319 páginas
    10h 38m
    ISBN-10: 8574796425
    Português Brasileiro
    3.9
    108 avaliações
    Leram176Lendo10Querem305Relendo1Abandonos16Resenhas8
    Favoritos12Desejados305Avaliaram108

    Realidade e ficção se confundem na prosa dolorosa, amarga e desesperançada do uruguaio Juan Carlos Onetti (1909 - 1994), referência e influência na literatura moderna latino-americana em obras de escritores como Carlos Fuentes e Mario Vargas Llosa. O argentino Julio Cortázar (1914 - 1984) outro escritor difícil e original, apontava Onetti como o maior romancista latino-americano. Em A vida breve, considerado pelo próprio Onetti como seu melhor romance e publicado originalmente em 1950, o publicitário fracassado Juan María Brausen, está obcecado pela intervenção cirúrgica que sua mulher sofrerá para retirada de um seio, como Onetti descreve pela ausência no seguinte trecho: Então terá chegado a hora de minha mão direita, a hora da farsa de apertar no ar, exatamente, uma forma e uma resistência que já não existiam e que ainda não tinham sido esquecidas por meus dedos. Minha mão terá medo de tornar-se exageradamente côncava, meus dedos terão de roçar a superfície áspera ou escorregadia, desconhecida e sem promessa de intimidade, da cicatriz redonda. É um tema frio e incômodo, originando um processo contínuo de fuga da realidade, baseado na desintegração progressiva da personalidade de Juan María Brausen que passa a escutar, através da parede de seu apartamento, as conversas e encontros da prostituta Queca e acaba se envolvendo com ela, transformando-se, para esta finalidade, no cafetão Juan María Acer. Este relacionamento, cada vez mais violento, acentua o caráter decadente da narrativa que acelera vertiginosamente quando Brausen-Acer acaba abandonado pela esposa e se envolvendo também com a cunhada Raquel. Paralelamente à narrativa "real", Brausen escreve um roteiro para cinema, cujo personagem principal, o médico Días Grey, vende receitas de ampolas de morfina para a bela e sedutora Elena Sala. O roteiro é ambientado na cidade fictícia de Santa María, cenário de outros romances de Onetti. Esta cidade é bem diferente da Macondo, imaginada por Garcia Marquez em Cem anos de solidão. Em Santa Maria não há espaço para o sonho, apenas o fracasso da aventura humana vivenciado por Brausen, Acer ou Dias Grey.

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    Alexandre Kovacs19/05/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Juan Carlos Onetti - A vida breve

    Editora Planeta - 319 páginas - Publicação 2004 - Tradução de Josely Vianna Baptista. Realidade e ficção se confundem na prosa dolorosa, amarga e desesperançada do uruguaio Juan Carlos Onetti (1909 - 1994), referência e influência na literatura moderna latino-americana em obras de escritores como Carlos Fuentes e Mario Vargas Llosa. O argentino Julio Cortázar (1914 - 1984) outro escritor difícil e original, apontava Onetti como "o maior romancista latino-americano". Em "A vida breve", considerado pelo próprio Onetti como seu melhor romance e publicado originalmente em 1950, o publicitário fracassado Juan María Brausen, está obcecado pela intervenção cirúrgica que sua mulher sofrerá para retirada de um seio, como Onetti descreve pela ausência no seguinte trecho: "Então terá chegado a hora de minha mão direita, a hora da farsa de apertar no ar, exatamente, uma forma e uma resistência que já não existiam e que ainda não tinham sido esquecidas por meus dedos. Minha mão terá medo de tornar-se exageradamente côncava, meus dedos terão de roçar a superfície áspera ou escorregadia, desconhecida e sem promessa de intimidade, da cicatriz redonda." É um tema frio e incômodo, originando um processo contínuo de fuga da realidade, baseado na desintegração progressiva da personalidade de Juan María Brausen que passa a escutar, através da parede de seu apartamento, as conversas e encontros da prostituta Queca e acaba se envolvendo com ela, transformando-se, para esta finalidade, no cafetão Juan María Acer. Este relacionamento, cada vez mais violento, acentua o caráter decadente da narrativa que acelera vertiginosamente quando Brausen-Acer acaba abandonado pela esposa e se envolvendo também com a cunhada Raquel. Paralelamente à narrativa "real", Brausen escreve um roteiro para cinema, cujo personagem principal, o médico Días Grey, vende receitas de ampolas de morfina para a bela e sedutora Elena Sala. O roteiro é ambientado na cidade fictícia de Santa María, cenário de outros romances de Onetti. Esta cidade é bem diferente da Macondo, imaginada por Garcia Marquez em "Cem Anos de Solidão". Em Santa Maria não há espaço para o sonho, apenas o fracasso da aventura humana vivenciado por Brausen, Acer ou Dias Grey.

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    Juan Carlos Onetti

    Filho de Carlos Onetti e de Honoria Borges, nasceu em Montevideo. Em 1930 se casou com sua prima, María Amalia Onetti. Em 16 de junho de 1931 nasceu seu primeiro filho: Jorge Onetti Borges, também escritor, falecido em 1998.<BR> <BR>Esteve preso durante a ditadura de Juan María Bordaberry. Em 1985 quando a democracia regressa ao Uruguai, o presidente eleito, Julio María Sanguinetti, o convida para a cerimônia de instalação do novo Governo; o escritor agradeceu o convite mas decidiu permanecer em Madrid.<BR> <BR>Juan Carlos Onetti recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua vida, entre os que se destacam: o Premio Nacional de Literatura de Uruguay (1962), o Premio Cervantes (1980), o Gran Premio Nacional de Literatura de Uruguay (1985), o Premio de la Unión Latina de Literatura (1990).

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    Montevideo, Uruguai

    Juan Carlos Onetti