Quando soube que zeca Baleiro havia escrito um livro, confesso que não gostei da ideia, pois surgiu o risco de ver minha admiração por suas letras e filosofia de bar desabar... Fui então a um pocket show / noite de autógrafos e comprei meu exemplar, cuja contra capa foi rabiscada pelo autor: "divagações sem pressa"...
Já na primeira página vi que o livro seria uma extensão de sua tal vã filosofia de boteco (ufa!), o que me fez devorar o livro em poucos dias.
"são textículos breves, reflexões não muito profundas e nem sempre consequentes, e digressões livres (afinal, pensar ainda é de graça), para serem lidos em aviões, salas de espera e toaletes do mundo"
nesses seus "textículos breves" (retirados de seu blog) zeca fala de música, literatura, cinema, comportamento, religião e até gastronomia, sempre ridicularizando essa nossa modernidade cheia de bestialidades... como nunca, mostra seu espírito saudosista, nostálgico, apreciador da vida simples e gostosa de se viver (beleza que vem sendo assassinada pela estranha necessidade de se deixar tudo pomposo). É um verdadeiro blog a ser lido em papel e tinta (o que é muito mais gostoso), recheado de críticas bem humoradas à sociedade em geral, referências musicais e memórias de sua infância e adolescência.
Pra quem já gosta do trabalho do artista, é um prato cheio, pra quem não conhece, um convite a conhecer a conhecer um dos melhores cantores/compositores populares da atualidade (apesar de seu trabalho andar meio decadente / a música brasileira, por sinal, anda bem mal das pernas).