Berço de uma das civiliações mais antigas do planeta, os Emirados Árabes estão em constante mudança, vivenciando um poderoso reascimento. Banhada pelo Golfo Pérsico, esta região guarda uma belíssima história geológica, que evoluiu contando mil e umas histórias, abrigando um conjunto de estados que hoje refletem uma imagem moderna de tecnologia avançada, poderosa economia, riqueza em fontes de petróleo, grande influência financeira no mundo ocidental e arquitetura arrojada. Porém , os Emirados não são apenas isso. Essa sociedade cosmopolita, de estilo de vida internacional, tem raízes profundas nas tradições pré-islâmicas e islâmicas da Arábia. E é este contraste entre passado e futuro que a arqueóloga Fernanda de Camargo-Moro nos apresenta neste novo e brilhante trabalho.
Mar das Pérolas - Dubai e os Emirados -
Fernanda De Camargo-Moro
Uma Leitura fascinante para quem deseja viajar para o Oriente
A capa é linda e a autora consegue compilar muitas informações a respeito da história, cultura, arqueologia, geologia, gastronomia, sociologia e turismo da região do Mar das Pérolas. A autora mostra grande domínio do assunto ao longo dos capítulos, porém o leitor pode ficar confuso com alguns nomes e com a própria história local (resultante da falta de contato do brasileiro com a história e linguagem árabe). Pensando nisso, a autora deixa, ao final do livro, uma linha cronologia de fatos históricos e um riquíssimo glossário indico também realizar a leitura com a aba de pesquisa aberta, assim é possível visualizar as paisagens e pontos turísticos e entender a emoção que a autora está descrevendo. Além disso, o livro conta com um apêndice recheado de receitas árabes deliciosas que valem a pena serem feitas em casa para maior imersão cultural ð. A leitura é rápida, pode ser um pouco travada devido aos problemas já relatadas. É um excelente livro para que vai viajar para Dubai e Emirados e/ou para que quer começar os estudos sobre a história árabe. Recomendo! O Mar das Pérolas é a fronteira entre dois mundos: o árabe e o persa; o sunita e o xiita. Apesar da palavra fronteira é uma região de muito intercâmbio entre as duas culturas e respeito mutuo (Apesar da grande tensão geopolítica regional trazidas pelo petróleo e vigília constante dos americanos). Os tópicos comentados a seguir são uma pequena demonstração do que pode ser encontrado nos miolos do livro... ***ALERTA DE SPOLIER*** A civilização que dará origem ao povo dos Emirados nasceu da junção de duas populações, a que vivia do mar e nas dunas e oásis. A cola que uniu ambos os povos foi o comércio. O mar dava peixes, frutos do mar e pérolas....do mar vinha comerciantes. Já os oásis davam tâmaras, cereais e produtos agrícolas...além de negócios. Nos portos, como descreveu Marco Polo, havia produtos de diversas regiões do mundo, desde as joalherias persas e pérolas do Bahreim até marfins da África e sedas da Cochinchina mostrando o quão importante e internacionalizados eram os portos daquela região desde os períodos remotos. A precoce domínio da metalurgia do bronze (3000 a.C.), da domesticação dos camelídeos (2000 a.C.) e dos princípios da irrigação permitiram um grande desenvolvimento agrícola local que resultou em uma explosão demográfica. Os portugueses chegaram a dominar a região por 100 anos após a segunda invasão, em 1515, ter permitido a fundação do Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz sob o comando de Alfonso Albuquerque, Governador da India. A invasão e o domínio fizeram parte da estratégia de fragilizar o Império Otomano e permitir a conquista do Oriente. Durante o período em que estiveram no Golfo, os portugueses expandiram não apenas as fronteiras do próprio império, mas também do cristianismo. Entretanto, após anos de ataques de diferentes civilizações, os portugueses foram expulsos pelos ingleses que contavam com fortes aliados locais, consagrando a hegemonia da Companhia Britânica das Indias Orientais. O domínio britânico adotou uma política de incentivar a autonomia de cada local a fim de preservar qualquer unificação capaz de ameaçar seus estabelecimentos Sendo fundamental para atual integração dos Emirados. Assim como os portugueses, os britânicos também usaram a violência para mandar mensagens às elites locais, como por exemplo a classificação do Golfo como Costa dos Piratas para poder destruir as poderosas embarcações das oligarquias locais. Logo após esse evento, os britânicos e xeques locais assinaram um acordo, em 1853, tornando-os Estados da Trégua outro passo fundamental para a construção do atual Estado. Após a Primeira Guerra Mundial é descoberto Petróleo na região. Contudo, por volta do final da década de 60, os britânicos sinalizam sua intenção de deixar a região. Em 1971 é formado os Emirados Árabes Unidos (EAU) União de sete emirados: Abu Dhabi, Dubai, Xarja, Ajmã, Umm Al-Quwain, Ras Al-Khaimah e Fujeira Abu Dhabi ocupa 86% do território, e é habitado por apenas 40% da população. Enquanto isso, o pequeno Ajmã ocupa 0,33% do território, porém abriga 5% da população total, por ser mais ameno, fácil de viver e alugueis muito mais baratos que os vizinhos. Os Emirado apresentam distintas características econômicas, geográficas e sociais. No entanto, são orientados pela mesma estratégia de investir em educação, preservar o meio-ambiente e construir prédios e estruturas que preservem a história/cultura e a paisagem local (como, por exemplo, o Hotel Burj Al-Arab e Palm Island Jumeirah) propagando os ensinamentos do xeque Zayed. Apesar do alto IDH e das fabulosas construções, os Emirados sofre com a desigualdade social, falta de liberdade, grande quantidade de imigrantes ilegais (indianos, africanos, filipinos etc), clima severo etc. O Golfo Persa sempre teve destaque por suas pérolas, principalmente nas margens ocidentais, onde existem verdadeiros bancos de ostras que fornecem pérolas gigantescas e de qualidade excepcional. A pesca e o mercado de pérolas sempre fizeram parte da cultura local e estão profundamente enraizadas nas tradições. Pescar pérolas é uma arte! As fazendas de pérolas afetaram a tradição da pesca, mas foi justamente a Crise de 1929 que colocou o oficio na geladeira (as elites americanas e europeias deixaram de investir em artigos de luxo, um deles foi as joalherias de pérolas). O comercio de ouro e petróleo também tiveram sua contribuição. Atualmente, porém, as pescas de pérolas voltaram a ganhar força e reacendendo a indústria perlífera. Falando em Petróleo, o Golfo detém dois terços das reservas mundiais de petróleo oficialmente conhecidas que são escoados quase que inteiramente por embarcações gigantescas via estreito de Ormuz. O estreito de Ormuz é um canal de 3 km e largura e 100 m de profundidade vigiado por embarcações e radares de Omã e do Irã. Diariamente passam 50 navios petroleiros pelo estreito. Os EAU souberam aproveitar o ouro negro, investindo pesadamente educação, ciência, meio ambiente, urbanização etc. Conquistando assim, o IDH de 0,92 (muito alto). Em resumo, o livro me deixou muito empolgado para assistir documentários sobre Dubai e os Emirados bem com ler mais livros da autora. Fernanda de Camargo-Moro é uma excelente arqueóloga, historiadora e escritora! Recomendo.
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