Fiz a releitura da obra, agora em italiano, e Il Gattopardo continua sendo um dos meus livros preferidos!
A construção de ambientes e mentes por uma descrição que faz bom uso de adjetivos, a sutileza dos detalhes, a apresentação de contrastes, a linearidade e os saltos narrativos... tudo nele me encanta. O livro é de um brilhantismo em seu recorte, tudo muito bem regido por um narrador atento, sagaz e irônico. E sou obrigada a reconhecer que talvez seja esse último ponto a me fazer ter a obra em tão alta conta (minha autora favorita, Jane Austen, não me permite negar).
O risorgimento, como é chamado o processo de unificação italiana, é em Il Gattopardo narrado da perspectiva aristocrática, da classe em decadência que precisa se reinventar para continuar regendo poder - como diz Tancredi na frase símbolo da obra: "Se queremos que tudo permaneça como está, é preciso que tudo mude". Mas o ponto curioso é que justamente o protagonista se nega à reinvenção. Continua fiel ao que é e sempre foi, e aceita seu fim eminente enquanto assiste a outros ao seu redor mudarem de fantasia para seguir anfitriões do eterno baile de máscaras da camada hegemônica.
Toda vez que pego Il Gattopardo pra ler e passo os olhos por alguns parágrafos me pego pensando em como o estilo de escrita engaja e em quanto sou grata por livros assim existirem - livros que transformam o "prazer da leitura" de expressão em experiência.