Apoiado em fatos históricos de uma Florença renascentista, o romance Eu, Mona Lisa se molda na mistura entre ficção e realidade numa linha semelhante aos escritos do Dan Brown, mas sem todas aquelas teorias e perseguições. Suas personagens ilustres, cada uma disposta com excelência em seu papel, compõem um cenário trágico e delicado. E é ela, a protagonista Lisa Gherardini, a Mona Lisa, a única capaz de desatar toda a rede de conspirações e segredos que a rodeia.
“... você está presa num ciclo de violência, sangue e hipocrisia. O que outros começaram você deve terminar.”
O livro é dividido em duas partes. A primeira, escrita em terceira pessoa, nos trás o relato do grande plano maquinado para destituir a família Medici do poder, entre outros fatos correlatos que deixam a trama bem amarrada. A parte dois nos leva ao mundo de Lisa e sua história cheia de intrigas e muito, muito mistério.
“Pois minha história não começa com meu nascimento, mas com um assassinato cometido no ano que o precedeu.”
Eu confesso que no início fiquei confusa com tantos acontecimentos e personagens sendo introduzidos praticamente de uma vez, ou talvez isso tenha sido conseqüência de uma falta de atenção minha, mesmo assim fui convidada a continuar a leitura a cada novo capítulo. Mortes brutais, amores proibidos, grandes reviravoltas, segredos e mais segredos enredam este romance divinamente escrito pela Jeanne Kalogridis.
A autora usa de argumentos formidáveis e convincentes para embasar os eventos literários aos detalhes históricos; tudo é ajustado com perfeição. Por vezes sua narrativa, a narrativa de Mona Lisa, se confunde com pura poesia. Jeanne escreve com minúcia esclarecedora, todavia, tantos pormenores, desde o vestuário até os lugares onde tudo se desenrola, tornam a leitura, deveras, cansativa.
O romance é sutil até certo ponto e todas as verdades escondidas são reveladas de maneira astuta e circunspeta. A autora não sente pressa em desarmar e expor os fatos, criando-se assim uma atmosfera de grande suspense e apreensão. Acho que por isso eu demorei tanto para me sentir envolvida com a história.
Por mais que haja acontecimentos um tanto previsíveis e episódios enfadonhos, a história toma rumos jamais esperados e você se depara com revelações jamais imaginadas. O final então é apoteótico, épico e sobrepuja qualquer defeitinho que a história possa ter. Prepare-se para ficar de queixo caído... Além de um grande entretenimento, Eu, Mona Lisa é uma aula de História e cultura. Uma experiência altamente válida. Um livro totalmente recomendado.
“Ele era maravilhoso e belo, e me devolveu meu coração.”