Barbara Cartland é a autora mais traduzida no Brasil, o que é muito, ela bate autores como Miguel de Cervantes e Agatha Christie. Foi uma autora extremamente prolifica com mais de 700 livros publicados. É bem conhecida por seus romances água com açúcar, com mocinhas virginais.
Sou uma leitora de romances de época, mas desses mais atuais, escritos a partir de 1990. Esse romance de Cartland me mostrou que seu modo de pensar e escrever uma história de amor está bem datada. Esse "mocinho" escrito por ela é o mais nojento que já li e a mocinha não tem quase personalidade nenhuma além do fato de ser dócil e gentil. A trama por trás do romance é interessante e foi o que mais me motivou a continuar a ler (apesar de ter sacado logo qual seria o rumo da história), mas o romance em si não me cativou em nada.
Aqui aquela coisa do canalha se apaixonar pela pureza virginal de uma jovem (bem mais jovem que ele) é levada a extremos, o cara é extremamente misogino e sexista e trata as mulheres como objetos.
Além disso também tem as falas preconceituosas contra os aldeões, rachando-os de bárbaros, como se já nascessem assim e por isso estavam "destinados" aquele tipo de vida. E a forma como ele culpa os pagãos pela caça as bruxas na Europa, quando sabemos que isso foi um projeto da igreja católica.
Fiquem com essa passagens para que vocês provem o gostinho desse romance:
"À noite passada, fiquei pensando no muito que você me deu e quanto pouco eu lhe dei em troca. E pensei então que o amo não somente porque pertencemos um ao outro, como homem e mulher, mas também como sua mãe o amaria se estivesse viva."
Páginas depois...
"Quando você me disse, meu amor, que queria me amar como minha mãe teria me amado se fosse viva, vi que tinha encontrado aquilo que todos os homens procuram: a mulher perfeita!"
Deu pra sacar?