Terry Eagleton é um filósofo e crítico literário britânico, atualmente com 81 anos, conhecido por seus estudos marxistas, na área da cultura e da literatura. A obra em questão é uma publicação de 1976 que traz uma apresentação e análise sucinta da relação do marxismo com a crítica literária. A obra é dividida em quatro capítulos, ou estudos, que podem ser lidos separadamente.
O primeiro deles busca apresentar os objetivos e características de uma crítica marxista da literatura (como parte de um processo social histórico), assim como questionar seu papel na luta política enquanto disputa no âmbito da superestrutura (como identificação e crítica da ideologia), explicando cada um desses conceitos.
O segundo pensa a relação dialética entre forma e conteúdo em uma obra de arte e os interesses ideológicos por trás da forma, por exemplo, o romance, que carrega informações importantes acerca do desenvolvimento da burguesia muito mais do que fala sobre o gênio e a psicologia individual de um determinado autor. Nesse contexto, Eagleton apresenta o elogio de Lukács ao realismo, como grande arte, tocada por um progressismo não vulgar. E na esteira da apresentação de críticos marxistas e seus métodos, expõe-nos às visões sobre crítica literária de Goldmann e Macherey.
O capítulo seguinte discute, por sua vez, várias compreensões marxistas acerca do valor estético de uma obra na relação com o progressismo. Teríamos desde a visão mais ortodoxa e embotada do stalinismo (onde a literatura devia assumir apenas a função de propaganda) até visões mais humanistas como as do próprio Marx, Engels, ou Lukács (onde até mesmo um romance burguês, se bem calcado na realidade, demonstrará certas contradições do capitalismo e de sua ideologia, possuindo assim um alto valor). Toda grande arte seria "progressista", mas isso no sentido que dialoga com os movimentos marcantes de sua época, e não porque o autor está enviesadamente e conscientemente voltado para produzir uma arte explicitamente revolucionária.
Por fim, o autor basicamente discute as concepções de arte engajada de Walter Benjamin e Bertolt Brecht, que têm por característica pensar o artista ou o produtor como também inserido na lógica mercadológica do capitalismo, o que os leva a pensar em novos potenciais críticos no desenvolvimento da tecnologia e reestruturação da relação artista/expectador.
A obra de Eagleton, portanto, percorre muitos temas e, apesar de curta, desenvolve-os com grande mestria, o que nos faz pensar que este seja um livro digno de ser revisitado para posteriores consultas (também por acadêmicos). O tema, entretanto, é caro a todo aquele que aprecia a arte e deseja não apenas consumí-la como um expectador passivo, mas compreendê-la mais profundamente em suas nuances históricas, classistas e ideológicas. Afinal, assim fazendo, estará desenvolvendo sua capacidade crítica do e, por conseguinte, libertando-se da naturalização vendida de certos problemas essencialmente humanos.