O Poder Civil
Em ''O Poder Civil (1895-1910)'' podemos entender o nascimento das chamadas oligarquias; o endividamento brasileiro (que reflete até hoje); a política café com leite; a manutenção burguesa no poder; a reeducação do Exército Militar, que se aproxima levemente dos ideais monárquicos da Marinha da época. Tudo isso remetido e delineado concomitante ao poder civil, totalmente despreparado para uma democracia, elucidado pelas más escolhas representativas. ''O novo bloco no poder, sob a hegemonia dos cafeicultores, organiza-se política e institucionalmente. Chega ao poder com Prudente de Morais. Depois, com Campos Sales, organiza o aparelho do Estado e os mecanismos de atuação política. Com Rodrigues Alves consolida-se economicamente, para que com Afonso Pena assine o Convênio de Taubaté. Esse convênio instituiu as bases de articulação do Estado com os interesses dos cafeicultores. é o mecanismo econômico que Celso Furtado chama de 'socialização das perdas'. A nascente burguesia industrial no Governo de Deodoro sentiu a importância política de ser a fração hegemônica do bloco do poder. Durante toda a República Velha sentirá que participar do bloco não é o suficiente e sim, mesmo sob bases instáveis, o importante é ser o centro de decisões, isto é, a fracção hegemônica. '' (Pág. 36) Prudente de Morais ao assumir a presidência teve momentos conturbados devido a herança ainda muito forte e presente do Florianismo, o qual ele era contra. Enquanto Floriano era contra os revoltosos da Revolta da Armada e Federalista, Prudente era pró revoltosos, tanto que além de assinar um acordo de paz, também lhes ofereceu anistia. Foi contemporâneo da Guerra de Canudos, que custou aos cofres Brasileiros um dinheiro estratosférico. Também fechou escolas militares. Para Campos Sales, sucessor e o 4° Presidente do Brasil sobrou as lambanças de um governo pífio, que ele fez questão de dar continuidade. Pífio para a classe mais baixa é claro, pois a elite pouco sofreu. Muito pelo contrário... Campos Sales tinha a missão de recuperar a economia e para isso, além de fato instalar uma Oligarquia, apelou a capitais estrangeiros e um velho conhecido nosso: Os Rothschilds. Esses banqueiros safados, os verdadeiros ganhadores da Guerra do Paraguai, também encheram os cofres com o ''funding loan'', tática do queridíssimo Presidente que empobreceu o Brasil, arruinou os engenhos do Norte, as fazendas de café que passaram às mãos dos agiotas e estancou a industrialização urbana. O povo empobreceu, mas o Tesouro acumulou a riqueza que inspirou a confiança dos Rothschilds. Voltara a confiança nos lucrativos investimentos no Brasil (haha). Chegamos a Rodrigues Alves, que consolidava a política dos governadores e assegurava a hegemonia de São Paulo, na sucessão presidencial. Rodrigues Alves era bem o representante da burguesia progressista de São Paulo, dos seus ideais de reforma, de soluções técnicas, de paz política, de predomínio civil, imigração, transportes, povoamento e conservadorismo econômico e social. Afonso Pena, o 6° Presidente trouxe em seu governo o chamado ''Jardim de infância'', visto que a faixa etária de sua equipe era extremamente baixa. Deu continuidade a política café com leite, mas não ficou tão preso a interesses regionais. Modernizou a Marinha e o Exército com contribuição de Hermes da Fonseca e incentivou a imigração, que foi uma medida inteligente porque anos depois estouraria a primeira guerra mundial. Uma série de conflitos de sucessão o fez sair da presidência, ocasionando diversos fatores pessoas, que contribuíram e muito para sua morte. Assumiu-se à presidência o seu vice: Nilo Peçanha. Nilo Peçanha protagonizou o apoio a Hermes da Fonseca contra Rui Barbosa (Militarismo x Poder Civil) e além da criação do Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, criou o SPI (Serviço de proteção aos Índios) e inaugurou o ensino técnico no Brasil. Há de se notar bons traços positivistas em seu não tão grande governo.

