Sobra de Guerra -

    José Onofre

    L&PM
    1982
    102 páginas
    3h 24m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2010/07/26/sobra-de-guerra-jose-onofre/

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    Serivaldo Araujo picture
    Serivaldo Araujo23/08/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Sobra de guerra” nos mostra os conflitos em que vivem os personagens envolvidos na história que surge a partir de um crime, no qual houve um assassinato e um suicídio. Os personagens envolvidos são jornalistas, pessoal da polícia, políticos, estudantes, pessoas comuns. Fatos do passado histórico brasileiro, especialmente ambientados na cidade de Porto Alegre, numa redação de jornal ou numa delegacia de polícia são relembrados com certa angústia, tristeza e medo. Personagens que haviam no passado se envolvido com a luta armada, foram presos, perseguidos ou investigados pelo regime de governo militar instalado no país, após 1964. O livro é recheado de diálogos rápidos, secos, sem muitos rodeios, que refletem os pensamentos e falas de agentes que trabalharam cooperando com informações para a polícia, envolveram-se com estudantes na faculdade, com políticos; que fazem referências a dossiês de informações, prisões de subversivos e à anistia concedida. Na fala de um deputado podemos perceber o pensamento sobre o regime que esteve instalado no país e afligiam algumas pessoas: “naqueles anos negros, naqueles anos estúpidos” cuja grande causa era “extirpar os sonhos, os projetos, as ambições de toda uma geração”. Existe um medo de se investigar o assassinato a fundo, pois o país era o “país do eu não sabia”, muitos sabiam das coisas, mas não podiam falar, divulgar, publicar. O silêncio era pago, os jornais não podiam divulgar a verdade, apenas diziam que a República ia bem. Logo depois de passado esse período obscuro, quando já havia uma anistia, o assassinato de uma mulher que havia contribuído com informações para o regime e o suicídio de um homem que esteve preso por envolvimento na luta armada, pôde deixar dúvidas naqueles que buscavam a verdade. Como opina Luís Fernando Veríssimo, “foi uma estranha guerra seguida de uma estranha paz”.

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