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    Tio Tungstênio - Memórias de uma infância química

    Oliver Sacks

    Companhia das Letras
    2008
    334 páginas
    11h 8m
    ISBN-13: 9788535902709
    Português Brasileiro
    4.2
    303 avaliações
    Leram510Lendo95Querem756Relendo3Abandonos37Resenhas17
    Favoritos28Desejados756Avaliaram303

    A vida de Oliver Sacks é marcada por uma curiosidade fora do comum. Neste livro, ele relembra sua infância e conta que foi o comportamento misterioso dos metais que o levou à sua paixão pela ciência. Desconfiando de que existiam leis e fenômenos escondidos por trás do mundo visível, o jovem Oliver se perguntava: ´Como o carvão pode ser feito da mesma matéria dos diamantes? Do que é feito o sol e as estrelas?´. Cada etapa de suas descobertas sobre a luz, o calor, a eletricidade, a fotografia, o átomo, os raios X e a radioatividade é relembrada para conduzir o leitor pela história da química, apresentando as pesquisas e inovações de nomes como Lavoisier, Mendeleiev, Marie Curie, Robert Boyle e Niels Bohr, entre outros. A escrita envolvente de Sacks aproxima poesia e ciência por meio de recordações que são, a um só tempo, investigações intelectuais e episódios de amadurecimento. As invenções da infância - por exemplo, um experimento com rabanetes para tentar provar a existência de Deus - e os anos traumáticos de colégio interno contribuíram para que ele buscasse refúgio não na poesia ou nas artes, como poderia se esperar de um espírito como o seu, mas na ciência. Nascido numa família de cientistas, Sacks encontrou incentivo para sua vocação. Tio Dave fabricava lâmpadas de tungstênio e, na cabeça fantasiosa do menino Oliver, tinha as mãos, os pulmões e os ossos encharcados do metal escuro e pesado. Para as crianças da família, tio Dave era dotado de força e resistência sobre-humanas - era o Tio Tungstênio.

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    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa15/03/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A magia da ciência

    Quando os nazistas começaram a bombardear Londres, o governo britânico organizou a evacuação em massa das crianças. Oliver e seu irmão mais velho, Michael, também tiveram de ir para o interior. À mercê de professores capazes de rivalizar em sadismo com guardas dos campos de extermínio, conheceram o lado sombrio do internato inglês, tão exaltado pela série "Harry Potter". Foi a tia de Michael a notar, quando ele voltou para casa, como o menino estava coberto de vergões e contusões. Foi uma surpresa para os pais, que pensavam que não haviam notado nada errado e pensavam que os meninos gostavam da escola. Mesmo depois de o diretor lhes haver cobrado o preço da vara que quebrara batendo no traseiro de Oliver que, cada vez mais, passava seu tempo fantasiando ter sido abandonado numa floresta e criado por lobos. Até os pais por fim perceberem que estava perdendo o juízo e o levarem de volta a Londres. Seu irmão já delirava, acreditando ser o Messias e o favorito de um Deus flagelomaníaco. Para fechar as portas e os ouvidos àquela psicose na qual reconhecia seus próprios pesadelos, Oliver Sacks, que então fazia dez anos, montou um laboratório em casa e se deixou absorver pelo mundo da ciência. É assim que um dos mais conhecidos neurologistas da atualidade descreve sua infância. Mas este não é mais um de seus livros sobre as complexidades da mente humana, nem é exatamente a autobiografia de um cientista. Os personagens centrais deste livro são os elementos químicos. O "Tio Tungstênio" do título é um tio de verdade, que tinha uma fábrica de lâmpadas incandescentes e iniciou o sobrinho nos mistérios da química. Mas também é um dos metais mais densos e incorruptíveis da tabela periódica, que para Sacks tornou-se um símbolo de solidez e resistência num mundo caótico. Cada um dos elementos que lhe caiu nas mãos ganhou uma identidade não só química, como também estética e afetiva. Oliver aprendeu sobre a condutibilidade térmica do diamante sentindo o frio ao encostar os lábios no anel de noivado da mãe. O pai e a mãe, ambos médicos, compensavam sua falta de sensibilidade para os problemas emocionais dos filhos com uma extraordinária disposição para compartilhar seus conhecimentos. E também com uma espantosa tolerância. Em busca dos piores cheiros do mundo, Oliver despejou ácido clorídrico sobre sulfato ferroso, produzindo uma nuvem fétida e venenosa de sulfeto de hidrogênio que invadiu toda a casa. Os pais apenas instalaram um exaustor no laboratório e lhe disseram para usar quantidades menos generosas. Em outra ocasião, jogou num lago um pedaço de sódio de um quilo e meio. Na água, esse metal se incendeia imediatamente e gira na superfície como um meteoro enlouquecido, espalhando chamas amarelas. Hoje, nenhum professor de ensino médio ousaria reproduzir a maioria das experiências sugeridas por velhos manuais vitorianos que Sacks lembra com tanto prazer. Muitos julgariam irresponsável até mostrá-las na tevê com a costumeira advertência: “não tentem fazer isso em casa, crianças!” Entretanto, foi ao reproduzir com as próprias mãos o trabalho de grandes químicos, cuja vida e obra conhecera nos livros que avidamente procurava nos sebos, que o futuro neurologista descobriu toda a riqueza e fascínio da ciência. Mesmo quem jamais conseguiu ver na química mais do que uma lista de fórmulas e nomes que teve de decorar para o vestibular, pode se fascinar e comover com a história dessa redescoberta pessoal de algumas das descobertas da humanidade. Fãs do neurologista, que tanto aprenderam sobre os mistérios do cérebro humano ao ler sobre seus estranhos pacientes, também gostarão de ver como essa ciência feita em casa – mais bela e divertida que a magia de Hogwarts – ajudou Oliver Sacks a evitar a loucura e da delinqüência à qual se entregaram muitas das crianças que viveram traumas semelhantes.

    13 curtidas

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    4.2 / 303
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    Oliver Wolf Sacks profile picture

    Oliver Wolf Sacks

    O médico e escritor inglês Oliver Sacks nasceu em 1933, em Londres, sendo filho de um casal de físicos. Formou-se como médico em Oxford e no início da década de 60 mudou-se para os Estados Unidos da América. Neste país estudou em regime de internato em São Francisco e, posteriormente, frequentou neurologia na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Em 1965 foi viver para Nova Iorque, onde se tornou professor de neurologia na Escola de Medicina Albert Einstein, professor assistente de neurologia na Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque e consultor de neurologia numa instituição de caridade. Com a publicação de Enxaqueca, em 1970, iniciou uma brilhante carreira de escritor. Os seus livros, escritos desde 1970 e traduzidos para mais de vinte línguas, tornaram-se campeões de vendas e ganharam diversos prêmios em todo o mundo, sendo utilizados em aulas nas universidades. Inspiraram também artistas de diversas áreas culturais. Mas Sacks notabilizou-se também pelos seus escritos na Imprensa, tanto generalista como especializada em medicina. Oliver Sacks foi membro honorário da Academia Americana de Artes e Letras, da Academia Americana de Artes e Ciências e da Academia das Ciências de Nova Iorque. Morreu aos 82 anos em sua casa.

    26 Livros
    278 Seguidores

    Oliver Wolf Sacks