Todo mundo em algum momento já teve contato com uma fábula - aquelas histórias curtas onde os protagonistas geralmente são animais personificados e que busca trazer alguma lição de moral: a cigarra e a formiga (com sua lição sobre a importância do trabalho), tartaruga e a lebra (com sua lição sobre a importância da disciplina para obtenção de objetivos), o lobo e o cordeiro (com sua lição de que no mundo real a força as vezes se impõe sobre o direito)... a lista é consideravelmente grande. Mesmo assim, foi uma surpresa e tanto descobrir que uma coletânea de contos iria figurar numa lista que se propõe a trazer obras de filosofia.
É o caso dessa obra aqui: em "Fábulas", o leitor depara - se com uma reunião de histórias do Fedro (20 a.C - 44 d.C), um trácio que após um período de escravidão fora liberto por Otávio Augusto (o primeiro imperador de Roma), vindo a desfrutar de certo prestígio. Ao mesmo tempo em que Fedro traz novas histórias, é curioso notar que muito do que aparece nessa coletânea são histórias de autoria do Esopo, outro autor que ficou conhecido por suas fábulas - mais conhecido do que o próprio Fedro, diga - se de passagem. Também é curioso que embora haja uma variedade nas histórias, há uma repetição de arquétipos: o lobo é desleal, o leão é majestoso e justo, o cão é leal e o burro é sempre explorado. É a partir desses arquétipos onde as lições de moral são produzidas e onde a filosofia pode ser extraída, com muitas das lições de moral refletindo a dimensão prática da atividade filosófica romana.
A edição da Escala conta com um ótimo prefácio do Luiz Ferracine, que apresenta a pessoa de Fedro e contextualiza bem a sua obra. Mas, no mais, não tem muito a ser dito: ela segue o padrão das obras da colação Grandes Obras do Pensamento Universal, que se propõe a trazer obras filosóficas a preços consideravelmente acessíveis. Vale a pena ler, mas é bom não esperar muito.