Os moradores da pequena aldeia italiana onde ele reside o chamam de signor Farfalla - Sr. Borboleta. Um homem discreto e reservado, ele passa a maior parte do tempo estudando e pintando borboletas raras. Mas sua verdadeira profissão é mortal. Se considera um artista, mas não pelos quadros que supostamente pinta, e sim pelas armas que desenvolve para assassinos. Farfalla decide que a próxima encomenda será a última. Então, quem sabe, ele poderá se aposentar e viver confortavelmente na aldeia italiana que aprendeu a amar - próximo da bela jovem Clara. Mas o círculo está se fechando e um habitante das sombras pode acabar com seus planos. Martin Booth criou um thriller psicológico instigante e surpreendente, com um personagem inteligente e carismático, repleto de conflitos. Um homem misterioso foi adaptado para o cinema, com George Clooney no papel principal e direção de Anton Corbijn.
Um Homem Misterioso -
Martin Booth
Edições (1)
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A passagem do tempo e a perspectiva da aposentadoria, com todo o anseio por dias de tranqüilidade e ao mesmo tempo o medo da anunciada inatividade que acompanham esta etapa da vida, estão por trás desse romance de Martin Booth. Narrada em primeira pessoa, pelo próprio personagem, o Sr. Farfalla (borboleta), a obra traz passagens idílicas, como as descrições das paisagens exuberantes do sul da Itália, onde o personagem vive em retiro, enquanto termina aquele que será seu último trabalho. A paisagem é uma das poucas coisas que salvam <b>Um homem misterioso</b> de ser uma decepção completa. O Sr. Farfalla passa a própria vida a limpo, mas sem sentimentos de culpa ou remorsos, apenas com a certeza de que de uma forma ou de outra, cumpriu seu dever de homem. Embora pareça, em determinados trechos, um ser amoral, é mais uma criatura, das tantas que povoam o universo literário e o mundo fora dos livros, em busca de si mesmo e de um novo sentido para a vida, quando finalmente se aposentar. O livro, porém, é cansativo e a leitura em certos trechos se arrasta em perigoso flerte com o tédio. A tentativa do autor em filosofar sobre a perenidade da vida e a implacabilidade do tempo naufraga em lugares comuns. O fato de o personagem ser um ex-católico que abdicou da fé, mas ainda condicionado à ideia de um deus e de uma igreja, não ajudam a torná-lo mais convincente no seu discurso de “profunda decepção com a história e a humanidade”. Confesso que desse aclamado autor de thrillers, esperava bem mais e me decepcionei não com o final da história, que devido a natureza do trabalho do Sr. Farfalla era esperado, mas com o conjunto da obra. Não emociona. Nem mesmo o fato do Sr. Farfalla ser obrigado a abrir mão daquilo que sempre desdenhou, quando finalmente decide aceitar as dádivas do destino, comove o leitor. A sensação é de que ele bem que merece permanecer preso no casulo que teceu para si mesmo, até o fim dos dias. O anti-herói de meia-idade (vivido por George Clooney no cinema, na versão do livro para as telas), é carismático até certo ponto, mas não convence. Falta alguma coisa de substancial a esse homem metódico e em conflito com a fé. Como diz uma das personagens secundárias, o Sr. Farfalla tem medo e esse medo o torna tão hermético que frustra o leitor. A couraça impenetrável que o mantém protegido de seus inimigos dentro da trama, também impede a fruição completa da obra por quem acompanha as idas e vindas do personagem. Os coadjuvantes mais interessantes não tem espaço nessa história de um homem só, já que a perspectiva é sempre a do olhar cansado e descrente do personagem principal. Esse olhar do Sr. Farfalha, tão indulgente consigo mesmo e tão desinteressado de quem está ao redor, é deprimente. No final das contas, é dos tais livros que quando se termina a leitura, sente-se um alivio e pouquíssima vontade de retornar algum dia a viajar por suas páginas.
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