O Sonho de Inocêncio - Ascensão e queda do Papa mais poderoso da História.

    Gerardo Laveaga

    Dom Quixote
    2008
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9789722034371
    Espanhol

    Em 1198, a Igreja Católica estava prestes a ser absorvida pelo império germânico. Nesse ano foi eleito Papa um aristocrata italiano que, com o nome de Inocêncio III, conseguiu convencer a cristandade de que não era apenas o sucessor de S. Pedro, mas o representante do próprio Cristo na Terra. Isto permitiu-lhe levar a Igreja ao seu momento mais alto na História. Para isso, teve de enfrentar os reis da Europa, os hereges, os muçulmanos e, sobretudo, a si próprio. Inocêncio III determinou o que era o Bem e o que era o Mal, convocou duas cruzadas, fundou uma organização para supervisionar a ortodoxia (os dominicanos), «inventou» mecanismos de controlo como a confissão e o casamento indissolúvel, aniquilou a oposição (a Igreja de Constantinopla e o movimento dos cátaros) e chegou até a despojar do seu reino o monarca de Inglaterra… Considerado pelo teólogo Hans Küng «talvez o mais brilhante Papa de todos os tempos» e pela revista Life como um dos 100 homens mais influentes do último milénio, Inocêncio III é retratado neste deslumbrante romance como um homem que viveu intensamente o amor, o sexo, a solidão, o poder e o peso esmagador da responsabilidade.

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    Leandro Rust12/06/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Novo traje para um velho conhecido

    Escrever ficção sobre o papado é tarefa demasiado arriscada. Ao dizê-lo não me refiro ao fato de grande parte do público torcer o nariz para tal empreitada por julgá-la um gesto desrespeitoso e iconoclasta, uma desconstrução oportunista de “líderes veneráveis”. Trata-se de outro problema: alguns protagonistas do papado são verdadeiros campeões de biografias históricas. É praticamente impossível escrever ficção sobre figuras assim sem que o autor acabe soterrado por uma torrente de livros exemplares e obras consagradas, todas sérias, rigorosas e eruditas. Inocêncio III, famoso papa medieval, é um destes casos. Considerado o “mais poderoso papa da história”, ele conta com dezenas de biografias conhecidíssimas. Cenário que só ressalta ainda mais os méritos de Gerardo Laveaga. Ao redigir “O sonho de Inocêncio” o autor mexicano deu vida a um livro criativo, intimista e ousado. Suas escolhas para humanizar o badalado pontífice, arrancando-o das molduras de um "homem-monumento", são eficientes e envolventes: mesclando narrativa em terceira pessoa e transcrição de supostas correspondências privadas, Gerardo faz de Inocêncio um personagem capaz de despertar expectativa nos leitores. Erótico, desenvolto, trágico, bem-humorado, resoluto e político: o papa é um caleidoscópio humano, não a monótona e cinzenta efígie do “grande líder” cultuado por incontáveis autores. Além do talento de Laveaga, outro ponto alto do livro merece especial atenção: o primor com que Sandra Marta Dolinsky traduziu o texto do espanhol para o português. A qualidade da tradução é notável. Por todas estas razões, recomendo!

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