Anjo a Face do Mal -

    Nelson Magrini

    Novo Século
    2010
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788576793847
    Português Brasileiro

    A partir de dois Princípios, Ação e Oposição, fez-se a Luz. Infinitas eras após a origem da Criação, a Oposição, o Indivisível, irá se fragmentar outra vez, um fenômeno que só acontecera uma vez, em um tempo antes do Tempo, quando ainda não existia vida no Astral. Face a isso, grupos opostos têm posições extremamente contrárias em relação ao fato. Anjos, aqueles que governam o Céu, querem impedir a divisão, pois, para eles, a Oposição são as Trevas Eternas, o inimigo máximo de Deus. Aos seus olhos, mesmo os Demônios, seus opostos, são toleráveis por serem originários da Ação, assim como toda e qualquer outra entidade existente no Astral, e vistos como partes da obra divina. Por sua vez, os Demônios se posicionam a favor da nova divisão porque querem descobrir quais segredos a Oposição esconde e utilizá-los na eterna luta entre Bem e Mal. Em meio às tensões crescentes, que ameaça eclodir em uma guerra sem precedentes entre Anjos e Demônios, um ser observa, um ser único, sem igual, um híbrido, possuidor das energias da Ação e Oposição. Seu nome é Lúcifer. Enquanto isso, na Terra, uma entidade misteriosa caça indistintamente Anjos, Homens e Demônios, guiada apenas pelo seu propósito sombrio, uma entidade que só pode ser descrita em pesadelos como a Entropia Encarnada. É chagada a hora de Lúcifer intervir. O futuro da Existência está em suas mãos. Se falhar, apenas restará fria e desolada destruição.

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    Jorge Tavares picture
    Jorge Tavares27/09/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Destruidor e criador

    "Sou a criação e a aniquilação, a base de tudo, o lugar de descanso e a semente eterna" Bhagavad Gita Terminei de ler "Anjo: a Face do Mal". O livro é bem concatenado, dividido em capítulos que o autor desenvolve com eficiência, apresentando situações variadas, mas que, mesmo assim, não perdem a unidade. Em um momento estamos nos estaleiros celestiais, no momento seguinte numa ruela da grande São Paulo, no momento seguinte num planeta distante (com o próprio São Jorge), e logo depois na emergência de um hospital. O autor consegue administrar essas situações aparentemente desconexas com inteligência, de modo que as várias peças formam um belo mosaico. E no centro de tudo, lá está ele: o anjo que deixou o céu para servir a Deus. Será? Eis aí um ponto interessante: como saber nessa cosmologia criada por Nelson Magrini quem serve a Deus ou quem volta-se contra ele? Como regra geral, o Deus, em Nelson Magrini não fala nada, não se comunica de forma aberta, ele espera que seus desígnios sejam "lidos" por suas criaturas. Cada um deve interpretar (essa é uma palavra chave), e isso significa agir da maneira que achar acertada. É exatamente isso que faz o Lúcifer do livro (muito diferente daquele conhecido por nós). Ao ensinar os homens a pensar, ajudando-os a evoluir (e destruindo sua inocência e felicidade) ele contraria a vontade dos Anjos, mas pode não estar em desacordo com a vontade de Deus. Nesse contexto, o certo e o errado não são óbvios, mas isso não quer dizer que eles não existam. O autor não cai na armadilha do relativismo absoluto, em que tudo é aceitável, nem em seu oposto, que é o maniqueísmo (erro muito comum, aliás, na literatura fantástica). O protagonista parece nos convidar a pensar, a julgar por nós mesmos, a interpretar e então definir a nossa própria idéia de bem. Depois de definida, ele nos desafia a agir de acordo com ela, mesmo que isso signifique desafiar o consenso geral e abandonar uma posição de relevo (como ele fez). Especialmente no contexto atual, dominado por idéias de bem e mal pouco flexíveis o livro apresenta uma reflexão interessante sob a forma de um enredo bem concatenado. Parabéns ao autor!

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