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    O casaco de Marx - Roupas, memória, dor

    Peter Stallybrass

    Autêntica Editora
    2008
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788586583346
    Português Brasileiro
    4
    352 avaliações
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    Através de idas e vindas do casaco de Marx, Stallybrass nos faz refletir sobre as complexas relações entre as coisas como objetos de uso, como objetos aos quais imprimimos nossas marcas, como objetos que carregam nossa memória, e as coisas como mercadorias - precisamente o problema de Marx em O Capital.

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    Lorena Miguel picture
    Lorena Miguel12/11/2010Resenhou um livro
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    Às vezes, você pode comprar um livro por um motivo e durante a leitura descobrir que é diferente do que você pensava, isso pode ser bom ou ruim. No caso do livro de Stallybrass foi um pouco assim, a diferença é que eu esperava que fosse literatura, não ensaios de um professor de humanidades e literatura comparada. Acho que cheguei a um dos limites da confusão que se pode fazer sobre um tema de um livro, embora eu culpe o resumo que a Autêntica fez... ou minha desatenção devido a tantos livros que estavam em volta, afinal era uma feira de livro. Pelo menos foi positivo, afinal é interessante como Stallybrass analisa e escreve sobre diferentes assuntos. O livro é divido em três ensaios, um sobre a relação da memória e roupas, o outro sobre a relação do capitalismo com as roupas e, por último, sobre a representação do andar em diferentes peças. O primeiro ensaio traz uma questão que é pouco pensada, as roupas daqueles que morrem. Não só como elas são forma de memória como também herança de família e aqueles que as recebem lidam com ela. Interessante como a roupa leva consigo a marca daqueles que a usaram, como a forma ou o cheiro. Stallybrass afirma, por experiência própria, que quando se veste a roupa que antes era um de outro você leva junto a memória da pessoa. Também considerei importante o pensamento de como companheiros lidam com isso, há alguns que tentam se livrar o mais rápido possível para não ter a lembrança da perda enquanto outros guardam algumas peças como forma de lembrança. Cada um tem a sua forma de lidar com a dor, e doeu um pouco ver como o armário vazio do pai de Philip Roth ainda lembrava da perda da companheira de 55 anos. O segundo ensaio, que dá nome ao livro, é uma discussão sobre a transformação das roupas em mercadoria. Acompanhamos a história das roupas no século XIX, principalmente o casaco de Marx. Importante ver como a roupa era uma marca de distinção, já que Marx somente poderia ir ao Museu Britânico para trabalhar se o seu casaco não estivesse penhorado. Peter trabalha como distinções diferentes de hoje, antigamente cores e certas tecidos distinguiam classes sociais. Ele também vai por um caminho diferente e acha que hoje se tira o valor dos objetivos e assim os desvaloriza. Pergunta por que o desprezo as coisas? Usa o caso dos prisioneiros que são despojados de sua roupa como forma de despojar do que são. É interessante ver como ele associa estudos acadêmicos com a vida daqueles que os escrevem como também de uma forma mais direta com a sociedade que vivem. O último ensaio trata sobre a noção de caminhar em diferentes peças clássicas. Interessante ver como um estudioso de literatura comparada racionaliza sobre peças de diferentes séculos, como Édipo e Lear. A forma que ele compara como é o caminhar para cada um dos personagens e a sua importância e sua época. Édipo não pode caminhar direito pela mutilação que sofreu, enquanto Lear não precisa andar pelo poder que tem. Stallybrass levanta um importante ponto sobre a dificuldade de se caminhar e como desvalorizamos esse ato quando conseguimos realizar naturalmente depois de aprendido. Isso não vale somente para o andar, muitas atitudes que tomamos são tão naturalizadas em nossas vidas que não percebemos mais como devemos valorizá-las. - - - - - - - - - - - - http://depoisdaultimapagina.wordpress.com/

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