No meu afã literário, entrei nas Lojas Americanas e me deparei com um calhamaço de quase 600 páginas por apenas R$ 9,90. Dei uma lida rápida na sinopse, vi que era de um escritor peruano e, como pretendia me aprofundar na literatura sul-americana, resolvi comprar. Toda contente, deixei-o na estante e algum tempo depois, me preparei psicologicamente para acompanhar a vida exagerada de Martin Romaña. Ó Céus!
O autor nos apresenta um personagem problemático e intenso, que faz tudo o que quer, quando quer. Filho de uma família abastada do Peru, resolve 'fazer a vida' em Paris da década de 60. Deixa uma namorada, Inês, e parte para o Velho Mundo. Lá, não consegue se crescer na profissão que escolhera, 'apenas' ser escritor. Nesse meio tempo, passa por situações bizarras demais, onde tudo parece conspirar contra a estabilidade mental de Martin. E o autor deixa crer desde o começo do livro que esta estabilidade já não é das maiores.
Inês resolve se encontrar com o amado na França e juntos resolvem se envolver com um grupo revolucionário peruano que lá estava. Martin não se adapta tão bem ao grupo quanto Inês, por perguntar demais e não crer tanto em Marx, e começa a ser deixado de lado e ser execrado pelos demais. Até que o amor dele e de Inês se evapora e ele passa a enlouquecer conscientemente.
No entanto, para que essas coisas aconteçam muitas outras situações bizarras tem vez, como o problema intestinal de Martin, que por causa de hemorróidas fica sem defecar durante dois meses criando um fecaloma. É a coisa mais nojenta do mundo a descrição da doença, do tratamento e da cirurgia. E nisso muitas e muitas páginas são gastas. Realmente, não é nada que mereça muito orgulho. Além disso, para pontuar o enlouquecimento do personagem, o autor utiliza a repetição de frases inteirassssssssss, deixando o leitor cada vez mais sonolento, cada vez mais estático, até que zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.