" Diga-me uma coisa, Marshal... Por que são sempre os monstros e não seus criadores que pagam o pato? "
Lançado originalmente em 1987 pelo selo Marvel Epic, Marshal Law chega ao Brasil em 1991 no formato de minissérie quinzenal em 6 edições, lançadas pela saudosa Abril Jovem.
Quem gosta de The Boys irá amar a violência gráfica aqui contida: Em forma de uma sátira intencionalmente exagerada, Marshal Law conta a história de uma realidade distópica onde os EUA e a América do Sul passam a desenvolver quase que simultaneamente projetos genéticos para a criação de humanos perfeitos. Claro que em uma sátira como essa, "humano perfeito" significa "soldado perfeito" e é justamente para esse fim que o projeto é usado: na América do Sul, no auge dos experimentos para criar os super heróis, as nações passam a ter inspirações... Marxistas, digamos. E isso obviamente desperta o radar dos EUA , que produzem super seres em massa e os envia em uma guerra contra a América do Sul (eles chamam essa guerra de "A Zona"), em uma clara referência à corrida armamentista (corrida atrás do humano perfeito) e à guerra do Vietnã (medo do comunismo).
Em determinado ponto os americanos voltam pra casa sem trazer a vitória consigo (outra referência ao Vietnã), só que os combatentes voltam completamente surtados e violentos, criando gangues de lunáticos super poderosos.
É nesse caos todo que surge Marshal Law, um anti-herói violentíssimo que caça essas gangues, sendo o próprio Marshal um dos seres geneticamente modificados.
Em suma, vale muito a pena conhecer essa obra, indicada para quem curte uma boa desconstrução do mito dos heróis, com uma arte muito maluca, extremamente competente e original de Kevin O'Neill. Os argumentos ficaram por conta de Pat Mills.