Lições de Abismo -

    Gustavo Corção

    Agir
    2004
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 852200627X
    Português Brasileiro

    A publicação de 'Lições de abismo', em 1950, foi um acontecimento singular na literatura brasileira - a consagração fulminante de um ficcionista que estreava aos 54 anos. Gustavo Corção (Rio de Janeiro, 1896-1978) já era um escritor pronto e ensaísta de currículo. Publicara, com sucesso, em 1944, 'A descoberta do outro', espécie de autobiografia espiritual em que narra sua conversão ao catolicismo aos 40 anos, e, em 1946, 'Três alqueires e uma vaca', dissecação da obra e do pensamento do poeta e escritor inglês Gilbert Keith Chesterton (1874-1936). Denso e profundo, o livro é o diário final de um homem que se descobre com leucemia. O médico lhe diz que terá três ou quatro meses de vida (a primeira anotação é de 11 de novembro; a última, de 23 de fevereiro). Logo ele constata que a morte, como o amor, não precisa de muito espaço. Mergulhado na memória, avalia o sentido da vida. Os escritos, de lucidez crescente, são reflexões sobre a alma, a verdade, o absoluto, o amor, a frivolidade, o ciúme. Documentam uma volta à fé, o reencontro com a graça. Premiado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em 1954, Lições de abismo tem traduções em inglês, italiano, holandês, polonês, alemão e francês. O texto desta edição é aquele que o autor considerou definitivo, após revê-lo em abril de 1962. Está enriquecido por ilustrações do artista Oswaldo Goeldi (Rio de Janeiro, 1895-1961), um poderoso criador de atmosferas, premiado em inúmeras mostras internacionais de gravura.

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    Daniela Toledo28/03/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Grandioso, profundo, poético e psicólogico. Esta é a primeira vez que leio um livro escrito por Gustavo Coração e devo dizer que foi uma grande surpresa. Acompanhamos um homem que, apesar de corroído pela doença, à beira da morte, consegue ter um olhar reflexivo tanto para essa mesma morte que se aproxima, como para a vida. "Ora, tudo o que se diz e se faz, de mais ou menos sensato ou mais ou menos absurdo, depende da solução desse enigma. Quem sou eu? Para que a vida tenha sentido, e para que a morte mesma tenha alguma decência, eu preciso saber quem sou, por que vivo, por que morro, por que choro. De que me vale apreender o milhar de relações do mundo exterior, se não consigo apreender a substancial realidade que me diz respeito? Que me adianta medir a distância do sol e analisar a configuração do átomo de urânio, se desconheço a largura, a altura, a profundidade de meu próprio ser? De que me serve ganhar o universo se ando perdido de minha alma?"

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