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    Estratégia da decepção -

    Paul Virilio

    Estação Liberdade
    2000
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788574480220
    Português Brasileiro
    4.3
    2 avaliações
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    Há um ano, sob incredulidade geral, a Otan, como que querendo encontrar um segundo fôlego, atacava um país europeu "desobediente" exprerimentava à própria custa que não se bombardeia uma guerra civil. Semiguerra não declarada, semiderrota ou vitória de Pirro, o término do conflito no Kosovo não resolveu nenhum dos problemas políticos dos Bálcãs, e muito menos no que restou da antiga Iugoslávia. Pelo contrário, permitiu um alastramento sem precedentes do banditismo, sem falar da fome e da destruição da estrutura social, deixando distantes quaisquer noções de democracia que pudessem estar por trás de tal operação. Vítima durante quarenta anos de uma estratégia da dissuasão fundada sobre a primazia da arma de destruição em massa, o continente europeu lhe vê suceder agora uma estratégia da decepção que repousa sobre as capacidades cibernéticas da informação massiva, sobretudo aquelas de uma desinformação generalizada. Sob a expressão "domínio global da informação", e a pretexto de "corrigir os Estados renegados, esses Estados-delinqüentes contra os quais os Estados Unidos têm a pretensão de proteger o mundo", assistimos na verdade a uma implosão do conceito tradicional de conflito militar. O que importa agora é o controle da informação, mesmo que para isso seja necessário controlar as ondas — o espaço orbital ou "satelitar" — mediante uma militarização unilateral da atmosfera, passando feito rolo compressor por cima não só da ONU e da Otan — cujas instrumentalizações são tão evidentes quanto patéticas — mas também de tratados internacionais existentes. E tudo isso camuflado sob o manto de uma abnegada operação de proteção dos direitos humanos, "entreabrindo, desde já, a porta para limpezas éticas capazes de substituir, com vantagem, a limpeza étnica de populações indesejáveis ou excedentes". Estamos diante de uma guerra de valores, não mais de território, e ficam patentes o desiquilíbrio do terror e a decomposição geográfica de certas nações em nome dos direitos humanos. Perante a inevitável proliferação das armas de destruição massiva, o novo conceito estratégico elaborado em Washington por ocasião do qüinquagésimo aniversário da Otan visa ao controle e ao policiamento universal dos fenômenos pânicos que a globalização não deixará de provocar no futuro, permitindo um melhor gerenciamento da nova ordem mundial.

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    Paul Virilio

    Paul Virilio nasceu em 1932. Arquiteto e urbanista, presidiu e editou a revista do grupo Architecture Principe. Foi professor e, mais tarde, diretor-geral da École Spéciale d´Architecture, e diretor, a partir de 1973, da coleção L´Espace Critique (Éditions Galilée).<br> Reconhecido no meio acadêmico internacional como filósofo e crítico da contemporaneidade, tornou-se, em 1990, diretor de programas do Collège International de Philosophie de Paris.<br> Especialista em questões estratégicas, tem se destacado como um dos principais ensaístas sobre os meios de comunicação, a "guerra da informação" e o mundo cibernético. Nos últimos anos, Paul Virilio vem se notabilizando como uma voz cética, quase uma nova dissidência, frente a uma sociedade desenfreadamente informatizada e onde o cidadão é vítima de um constante bombardeio (des)informacional. <br>Em 2000, inaugurou no Japão o Museu das Catástrofes, projetado e dirigido por ele. No Brasil, publicou, entre outros, os livros: Velocidade e política (1996), A bomba informática (1999) e Estratégia da decepção (2000).

    6 Livros
    5 Seguidores

    Paul Virilio