Começar uma resenha sobre Desastre não é uma tarefa fácil. Logo de início cabe dizer que a leitura é uma das mais leves que já tive contato nos últimos 2 anos, porém sem a obiviedade de autores voltados para o público adolescente, principalmente pelo fato de S.G.Browne não ser um desses autores.
Desastre foi escrito por um homem, relatando o ponto de vista de um homem, o que é um grande avanço! Há séculos que não se via um narrador masculino de verdade, sem aqueles toques de feminilade inevitáveis causados por autoras mulheres. Fado ou Fábio, o narrador, é uma entidade milenar que tem como função designar sinas a 83% dos seres humanos, os que estão na "Trilha do Fado", e constantemente é surpreendido negativamente com ele. Em contrapartida, Destino (uma bela puta, se quer saber) é responsável pelos outros seres humanos, com destinos brilhantes à suas frentes.
Fado encontra-se em uma situação ruim, pois seu emprego já não é mais nada agradável. Seu melhor amigo, a Morte, não fala com ele há mais de 500 anos. Ele acaba por afundar-se mais e mais até que conhece Sara. A partir daí, ele começa a se envolver em encrencas de verdade!
O relacionamento de Fábio e Sara é descrito de uma forma realmente muito boa! Nada dos sentimentalismos aos quais estamos acostumadas. Na maior parte do tempo, tudo que sabemos são pequenos momentos dos dois juntos, até porque Fado aka Fábio tem uma vida bastante atribulada.
Vale ainda citar que o ponto de vista de fado é hilário! Na maioria das vezes ele faz analogias inteligentíssimas, tanto à cultura pop quanto à cultura clássica.
Não bastasse tudo isso, o final é surpreendente, e mesmo os mais inusitados leitores/autores seriam capazes de prever. Só nos resta mesmo agradecer ao Big J. pela obra (e depois querer matá-lo).