Não é segredo que o gênero literário que mais me agrada é o romance policial, sendo assim essa obra agradou-me bastante. Quer saber os motivos? Confira abaixo! Como um bom livro do gênero policial, Teia Virtual é repleto de ação. A narrativa simples e direta de Eduardo foi capaz de descrever de forma concisa um cenário comum e atual, voltado especificamente para o mundo virtual e a influência negativa que ele pode exercer sobre as pessoas.
Sob esse contexto, a história nos apresenta a Alexandre, um promotor da área criminal, que por motivos pessoais e também profissionais, aprendeu a trabalhar com o lado concreto e objetivo dos fatos, elemento que para ele, garante seus bons resultados como promotor de acusação. Contudo, nos últimos casos de homicídio em que ele está trabalhando, todos os acusados alegaram sofrer a influência de um amigo virtual, alguém que os induziu ao crime. Esse fato faz com que Alexandre se questione sobre até que ponto as provas concretas podem definir ou não, os verdadeiros culpados de um crime, mas, não é prova suficiente para que ele acredite que essas pessoas não são culpadas, afinal, elas mataram a sangue frio, amigos, parentes e conhecidos, verdadeiramente motivados pela ganância ou pela inveja.
O ponto de vista de Alexandre começa a mudar quando, ao lado de sua colega advogada Beth e da jornalista Helena, sua ex-namorada, ele se torna parte ativa de uma teia de acontecimentos irreais, em que o mundo virtual se faz presente na realidade física, incentivando os três a se unirem em busca de alguém que não deixa pistas suficientes para garantir que é real. Inicia-se então, uma caçada policial, um jogo de dicas que torna a narrativa rápida, capaz de incitar nossa mente a trabalhar no ritmo estipulado pelo autor.
O interessante do livro é que ele não se limita ao enredo policial, de forma que lemos também, pitadas de romance, drama e comédia, tudo ao mergulharmos na vida de Alexandre, um homem que sofre com sua solidão e com as feridas não curadas do seu coração, mas que se acha forte o suficiente para viver como se essas mágoas não existissem. Os relacionamentos conturbados de Alexandre (tanto amorosos, quanto familiares), se unem a sua busca profissional e quando ele menos espera, percebe que a pessoa que procura está bem mais próxima do que ele poderia imaginar. A premissa é clichê é verdade, no entanto a construção dos fatos inseridos aqui dão um importante embasamento na obra, tornando-o excelente. O advento da internet gerou evolução, mas também, fez com que as pessoas se distanciassem umas das outras, afinal, desde que as redes sociais se tornaram populares, quantas pessoas se limitam a falar com seus amigos apenas virtualmente, esquecendo da importância de um telefonema, ou até mesmo, de um abraço? Embora em tempos de isolamento social isto não seja recomendado. Com destreza, Eduardo salienta a importância do afeto, da amizade, do amor, da família, escrevendo sobre como a internet pode colaborar de forma negativa para que as pessoas se esqueçam da importância desses sentimentos na vida humana.
O enredo foi muito bem elaborado, e a meu ver, daria um bom filme. Minha única ressalva é em relação ao foco ser estritamente no personagem principal, ofuscando demasiadamente outros personagens. Contudo, independente deste ponto negativo, a história é rica e bem desenvolvida. Além do clima constante de ação, os personagens são fortes e divertidos (existem várias sacadas irônicas ao longo da narrativa, e isso me agrada bastante), e a mensagem que o livro transmite é capaz de nos fazer refletir sobre nossas prioridades, e principalmente, sobre os caminhos pelos quais nossa sociedade está trilhando.
Se você gosta de um bom livro policial com muita ação, leia TEIA VIRTUAL. Espero que tenham curtido a resenha. Até a próxima!