"Dom Lisardo nem ergueu os olhos ante a presença do doutor. Estava muito ocupado em recordar o beijo de Griselda. Ainda guardava aquele instante na asa da borboleta. Dito assim pode soar estranho, mas dom Lisardo acahava que a vida de cada um está representada em algum lugar. Os adivinhos troianos viam-na nos fígados de um galo, e as bruxas de Barbasto nos sedimentos da urina. Por seu lado, dom Lisardo guardava-a nas asas de suas borboletas. Não era uma coleção grandiosa, de exemplares raros, mas suas asas eram como páginas de um álbum de recordações."

