Cinema dos anos 90 -

    Org: Denilson Lopes

    Argos
    2005
    381 páginas
    12h 42m
    ISBN-10: 8598981400
    Português Brasileiro

    Cinema dos anos 90 é uma coletânea de 23 artigos sobre filmes, organizada pelo professor Denilson Lopes. Participam da obra, em sua grande maioria, professores universitários ligados à área de cinema. Cada autor escolheu um filme de longa metragem lançado no Brasil para comentar e, embora haja um predomínio de filmes autorais, há uma amplitude na escolha. O livro faz um levantamento mais afetivo do que totalizante, trazendo: cineastas que aparecem com toda força neste período, como Hal Hartley, Jane Campion, Kiarostami, John Sayles, Lars von Triers, Tim Burton, Paul Thomas Anderson, Julio Medem, Tarantino, Tsai Ming Liang, Wong Kar Wai e Alejandro González Iñarritu; cineastas vindos dos anos 80 que produzem obras significativas, como Greenaway, Lynch, Almodovar ou Cronenberg; e veteranos, como Kieslowski, Manoel de Oliveira, Altman e Kubrick. Além de revisitar os filmes, somos apresentados a uma nova geração de críticos que produzem reflexões sobre arte e cultura contemporâneas.

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    jota 1108/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Minha avaliação: 3,8/5,0 – BOM, quase MUITO BOM

    Cinema dos Anos 90 é uma publicação de 2005 da editora Argos e foi organizada pelo professor Denilson Lopes (da Faculdade de Comunicação da UnB), que também escreveu o Prefácio e analisou um dos filmes, A Fraternidade é Vermelha, de Kieslowski. Além de Lopes, especialistas em cinema ou em áreas de conhecimentos afins analisaram mais de uma vintena de obras de diferentes estilos e cinematografias ao redor do mundo, com predomínio do cinema americano, o que mais produz e lança obras cinematográficas anualmente. Diferentemente das críticas de filmes comumente encontradas em jornais e revistas, igualmente em sites da internet, os artigos presentes nesta publicação foram especialmente escritos para ela. Eles vão fundo na análise dos filmes e seus realizadores, até mesmo do desempenho dos atores e outros elementos presentes nas obras elencadas etc. Tomam muitas páginas do livro, podendo ser vistos não apenas como artigos de interesse específico ou, no seu conjunto, até mesmo como um guia de filmes importantes da década de 1990, mas também como referências para profissionais e estudantes de cinema, comunicação, artes visuais etc. bem como para outros interessados na sétima arte. Nem sempre a linguagem empregada pelos analistas (imensa maioria dos colaboradores é do meio acadêmico) é suficientemente clara para o completo entendimento do texto pelo leitor comum. Alguns filmes considerados difíceis (herméticos), como os de David Lynch, por exemplo, não ficam lá muito claros depois de finalizada a leitura. Dois deles foram analisados pelo filósofo e professor da USP Vladimir Safatle, conhecido articulista da Folha de São Paulo e por participações no Jornal da Cultura, SP. É bem possível que para outros leitores a escrita do professor não pareça tão obscura quanto os herméticos filmes por ele analisados restaram para mim. Mas não é apenas Safatle que demonstra erudição, outros colaboradores também extrapolam o filme analisado, o assunto cinema, enveredam por temas que dominam ou os atraem etc. Por outro lado, a ótima produção mexicana, Amores Brutos, recebeu uma apropriada leitura do professor de literatura Evando Nascimento que nos deixa com vontade de rever o filme, que não é bem da década de 1990... Mas vamos à lista dos filmes que seriam os melhores representantes – ou os mais importantes - da sétima arte naquela década, segundo os colaboradores do livro, incluídos aí 3 exemplares da década seguinte (Mulholland Drive, o já citado Amores Brutos e Dançando no Escuro): - Confiança, de Hal Hartley (1990), EUA, Inglaterra; - Um Anjo na Minha Mesa, de Jane Campion (1990), Nova Zelândia, Austrália, Inglaterra, EUA; - Dick Tracy, de Warren Beatty (1990), EUA; - Grand Canyon, de Lawrence Kasdan (1991), EUA; - Short Cuts – Cenas da Vida, de Robert Altman (1993), EUA; - Magnólia, de Paul Thomas Anderson (1999), EUA; - Batman – O Retorno, de Tim Burton (1992), EUA, Inglaterra; - Pulp Fiction, de Quentin Tarantino (1994), EUA; - A Fraternidade é Vermelha, de Krzystof Kieslowski (1994) Polônia, Suíça, França; - Terra Estrangeira, de Walter Salles (1995), Brasil, Portugal; - O Livro de Cabeceira, de Peter Greenaway (1996), Inglaterra, Holanda, França, Luxemburgo, Austria; - A Estrela Solitária, de John Sayles (1996), EUA; - A Estrada Perdida, de David Lynch (1997) e na sequência Mulholland Drive (2001), EUA, França; - O Rio, de Tsai Ming Liang (1997), Taiwan; - Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami (1997) Irã, França; - Felizes Juntos, de Wong Kar Wai (1997), Hong Kong, Coreia do Sul, Japão; - Viagem ao Princípio do Mundo, de Manoel de Oliveira (1997), Portugal, França; - Carne Trêmula, de Pedro Almodovar (1997), Espanha, França; - Os Amantes do Círculo Polar Ártico, de Julio Medem (1998), Espanha, França; - De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick (1999) Inglaterra, EUA; - São Jerônimo, de Julio Bressane (1999), Brasil; - Existenz (eXistenZ, na verdade), de David Cronenberg (1999), Canadá, Inglaterra, França; - Cronicamente Inviável, de Sergio Bianchi (1999), Brasil; - Amores Brutos, de Alejandro Gonzalez Inarritu (2000), México; - Dançando no Escuro, de Lars Von Triers (2001), Dinamarca, Alemanha, Holanda, Itália e mais 10 países financiaram a produção. Lido entre 15/05 e 05/06/2020.

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