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    A Jogadora de Go -

    Shan Sa

    Rocco
    2004
    203 páginas
    6h 46m
    ISBN-10: 8532516939
    Português Brasileiro
    3.9
    81 avaliações
    Leram114Lendo8Querem106Relendo1Abandonos3Resenhas5
    Favoritos14Desejados106Avaliaram81

    Dia após dia, uma adolescente chinesa e um jovem soldado japonês encontram-se na Praça dos Mil Ventos para uma árdua partida de go. O ano é 1937. Tropas japonesas invadem a Manchúria, e o soldado recebe a missão de, disfarçado, procurar espiões da resistência entre os jogadores que desde a alvorada se reúnem na praça. Os dois pouco se falam. Durante o exercício quase estético que é a partida, perscrutam as almas um do outro através do movimento dos peões sobre o tabuleiro. Fora dali, suas vidas são peões em campos opostos, à mercê da empresa militar. A chinesa, ignorando estar diante do inimigo que dissemina a morte entre o seu povo, encontra na partida retomada diariamente a fuga de um cotidiano que parece estar prestes a se desintegrar. O japonês, verdadeiro samurai treinado para morrer pela honra de seu imperador, encontra na oponente o alento da diferença, ele que não consegue amar satisfaz entre prostitutas o corpo castigado. Em "A Jogadora de Go", Shan Sa traça com intensa com intensa poesia, coadjuvantes da tragédia da guerra, protagonistas de tragédias pessoais ditadas pela guerra. Mas não se pense que o livro é uma pintura em tons sombrios: se há passagens que retratam fielmente a crueldade do ser humano, como a tortura dos jovens da resistência pelo ensandecido tenente Oka, há também a descoberta do sexo pela adolescente Machu - um sexo ensolarado, ao qual ela se entrega como quem se lança no vazio. Se este romance fala da brutalidade humana e do sofrimento imposto pela guerra, é também uma homenagem à beleza das coisas simples, à liberdade do amor e ao espírito de juventude que se lança adiante sem olhar para trás - girando, assim, a engrenagem do mundo.

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    Márcia Regina Schwertner picture
    Márcia Regina Schwertner26/04/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A jogadora de go O livro é muito bonito, vou comprar um exemplar pra mim. Contudo, ele passa uma sensação de impotência e tristeza frente ao arrastão da vida, não aconselho para quem estiver em um momento meio deprê. Se você estiver deprimido, leia outra hora, para não se deixar arrastar. Os personagens têm a beleza suave e a energia represada do jogo no qual se envolvem, precisamos estar com a cabeça bem dez para conseguir perceber esses aspectos e ver que preços devem ser pagos, mas a escolha é nossa. A história fala sobre solidão, amor, sexualidade, guerra, tortura, morte, medo e, principalmente, sobre escolhas, pagamentos e cobranças, sobre como, mesmo quando a vida nos leva, a força de escolher é nossa. Essa força para escolher é algo que vale uma vida em si. A caminhada até a praça foi como um caminho para o ingresso no mundo adulto, caminho de crescimento e compreensão, de percepção de que às vezes precisamos mudar estratégias, de que alguns jogos não seguem regras e outros sequer conseguem ser finalizados. Acima de tudo, de descoberta da importância da tomada de controle sobre nossos destinos, ainda que esse controle cobre um preço tão alto. Sei que foram levados pela vida, mas também vi um crescer marcado por opções. Ao final, não a guerra, nem o país, nem a educação, nem a família. Ao final, apenas eles mesmos. Achei lindo. Como li num momento especialmente alegre, estava forte e saí da história com mais certeza de opções que fiz e de perdas que assumi. O livro me fez bem.

    9 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 81
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Shan Sa  profile picture

    Shan Sa

    Shan Sa is the pseudonym of Yan Ni (born October 26, 1972 in Beijing, China), a French author and painter. The Girl Who Played Go was the first of her novels to be published outside of France, and won the Prix Goncourt des Lycéens (a prize voted by secondary school students). Her second novel to appear in English translation was Empress (2006). Shan Sa, poetisa, calígrafa e romancista, Shan Sa nasceu em Pequim em 1972, no interior de uma China destruída pela Revolução Cultural. Com oito anos apenas, publicou alguns poemas no jornal O Diário do Povo, passando a ser a mais jovem poetisa do seu país. Em 1990, aos 17 anos, trocou a cidade natal por Paris e o chinês pela língua francesa, tornando-se, dez anos mais tarde, numa autora de língua francesa reconhecida pela crítica e estimada pelo público que esgota sucessivas edições das suas obras. Como romancista, escreveu A Porta da Paz Celeste (Prémio Goncourt para o Primeiro Romance), A Jogadora de Go e Imperatriz, todos já editados pela Casa das Letras (antiga Editorial Notícias). A Quatro Vidas do Salgueiro recebeu o prémio Cazes. Publicou, ainda, um livro de poemas, Le Vent Vif et le Glaive Rapide, e o álbum Le Miroir du Calligraphe.

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    6 Seguidores

    Shan Sa