João Cândido, O Almirante Negro -

    Alcy Cheuiche

    L&PM
    2010
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788525420800
    Português Brasileiro

    Em 22 de novembro de 1910, tiros de canhões sacudiram a cidade do Rio de Janeiro. Estilhaços de vidraças espatifaram-se no chão. Habitués da Avenida Central correram apavorados em direções diferentes. Um automóvel desgovernado subiu na calçada. Ouviu-se ruído de ferro contra ferro. Era o início da "Revolta da Chibata", extraordinário acontecimento político e social que agora, cem anos depois, Alcy Cheuiche narra em João Cândido, o almirante negro. O personagem que dá nome ao livro foi o líder deste movimento, um marinheiro negro que nasceu filho de escravos, em 1880, e morreu como pária, em 1969, no auge da repressão da ditadura militar. Aqui, Alcy Cheuiche dedica sua obra a todos que ajudaram a tirar o Almirante Negro da sua última masmorra, o esquecimento.

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    rita nascimento16/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Tudo continua como dantes

    E na contínua saga de de querer saber mais, sempre mais, sobre nossa história, percebo que os tempos mudaram, os personagens também, mas infelizmente, ela se repete. A história do papel das forças armadas no Brasil é a de uma relação mal resolvida de autoritarismo, estado de exceção, golpes e violações de direitos humanos contra a sua própria população. João nasceu preto e pobre nos confins do R. Grande do sul, aos 14 anos, ingressou na Marinha, como grumete (recruta). Como marinheiro, João Cândido navegou por três continentes — Europa, América e África — e aprendeu a operar quase todos os instrumentos a bordo, do leme ao canhão, e em conversa com marinheiros de outros mares soube que a chibata não era usada em nenhum navio do mundo Naquela época, ofensas graves contra o oficialato eram castigadas com 25 chibatadas à frente dos outros marinheiros para servir de exemplo. Não se sabe porque a sentença imposta a Marcelino, amarrado a um mastro do convés e nu da cintura para cima foi de 250 chibatadas, deixando-o quase sem vida. O que revoltou um grupo de marinheiros negros que cansados de sofrer castigos físicos de seus oficiais brancos, resolveram organizar um motim, comandado por João Cãndido, que tinha o dom da palavra. Daí a conhecida (ou não), "Revolta da chibata". Mais um episódio nefasto em nossa história. A narrativa dá-se em terceira pessoa, indo e voltando da infância de João e as contações do avô até sua morte - esquecido e pobre. Delícia de escrita. Horrível saber que nossos governantes continuam com as mesmas ideias. Belíssima homenagem de Aldir Blanc e João Bosco: ♪♫H muito tempo nas guas da Guanabara, o dragão do mar reapareceu, na figura de um bravo feiticeiro, a quem a história não esqueceu.................Salve o navegante negro, que tem por monumento as pedras pisadas do cais. Mas faz muito tempo♪♫

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