eu gosto das estrelas, acho que é a ilusão da perpetuidade. Quer dizer, elas estão sempre se queimando, piscando e desaparecendo...
Mas daqui eu posso fingir... posso fingir que as coisas duram, posso fingir que as vidas duram mais do que movimentos.
Os deuses vêm e vão. Mortais lampejam, reluzem e se apagam. Mundos não duram, estrelas e galáxias são coisas transitórias e fugidias que piscam como vaga-lumes e se desfazem em pó e frieza.
Mas posso fingir
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os sem-fim? Os perpétuos são apenas padrões, os perpétuos são ideias, os perpétuos são funções de onda, são motivos repetitivos. Nós somos ecos das trevas e nada mais. Não temos direito de brincar com a vida deles, ordenar seus sonhos e desejos.
Até mesmo nossas existências são breves e limitadas, nenhum de nós vai durar mais do que esta versão do universo.
Uma moeda de dois lados, destruição é necessária, nada novo pode existir sem a destruição do velho.
As coisas são criadas, duram por algum tempo e desaparecem. Impérios, cidades, poemas e pessoas. Átomos e mundos. Ninguém pode iniciar m sonho sem abandonar o último, não é, irmão?
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A vida, como o tempo, é uma jornada através das trevas. Não tenho ideia de quanto será minha duração. Preciso manter a espada e o lago, mas deixarei o resto para trás.
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Não se pode buscar destruição e sair ileso, é o que diz Desespero. Depois de 9 volumes do arco vidas breves, a busca pelo perpétuo da destruição chegou ao fim. Esses volumes trouxeram à tona questões sobre arrependimento (quando destruição diz para sonho não se culpar pela partida dele) e também sobre adeus, morte, dever e mudança. A destruição é o motor para a criação. O velho dá lugar ao novo.
Essa jornada contou com mortes, adeus e mudanças. Sonho e Delirium se aproximaram. Sonho superou outro amor não correspondido (é interessante notar que ele poderia dá literalmente qualquer coisa para qualquer pessoa, mas isso não é suficiente para encontrar ou comprar amor).
Destruição não retornou para seu reino e as responsabilidades que sonho alega que ele tem. Em vez disso, ele segue um caminho de sua escolha, e não passa para outrem o peso de ser a destruição.
Sonho reencontra seu filho, Orpheus, e após a despedida de destruição, ele retorna ao seu filho, decidido a concedê-lo o desejo que outrora lhe fora negado, a morte.
sua vida e morte lhe pertenciam. (é o que ele diz, embora claramente não concorde e fique destruído com as consequências do ato). Perdão, compreensão e outras mudanças são trazidos a luz nas ações do senhor do sonho; assim como a destruição do que ele costumava ser, a princípio.
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você poderia ter ido ao funeral dela.
Por quê?
Para dizer adeus.
Ainda não disse adeus a Eurydice.
Pois deveria, você é mortal. É a maneira dos mortais. Você vai ao funeral e se despede da morta. Você se enluta. Então continua com sua vida. E, às vezes, a ausência dela te atingirá como um soco no peito, e você irá chorar. Mas isto acontecerá cada vez menos com o passar do tempo.
Ela morreu, você vive.
Viva.
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Ao fim, alguns lamentam sentados e sem ação a morte e a destruição daqueles que amavam, e pouco a pouco também abraçam a destruição de si mesmos por não verem mais nenhum sentido;
Ao fim, alguns tentam substituir o que era e foi pelo que é e será, mas se deparam com o que é insubstituível;
Ao fim, alguns tentam queimar todas as lembranças do que já foi, numa espécie de rito de despedida, mas se deparam com o imaterial;
Ao fim, alguns desejam a destruição (a exemplo de Orpheus) para eliminar aquilo que só existem em suas mentes;
Ao fim, alguns encontram uma nova vida e uma nova roupagem e aparência, em meio a pensamentos que lhe são privados;
Ao fim, outros sentem a dor no peito que torna difícil respirar. E cavam mais fundo, o máximo que podem. E, já velhos, se despedem do novo e desejam que haja campos elísios e amor; desejam retorno a algum lugar, trevas ou luzes; ou talvez o nada; ou até mesmo o descanso.
Ao fim, alguns desejam o surgir da primavera e o amadurecer do verão. Na esperança de sentir novamente a juventude. Mas sabem que, no fim, pode não haver outro verão ou outra primavera, mas apenas mais um lindo dia.