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    Sandman #49 - Despedidas

    Neil Gaiman

    Editora Globo
    1994
    32 páginas
    1h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    102 avaliações
    Leram204Lendo1Querem19Relendo0Abandonos0Resenhas5
    Favoritos12Desejados19Avaliaram102

    Arco Vidas Breves, parte 9

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    Gean picture
    Gean27/03/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma moeda de dois lados: nada novo pode surgir sem a destruição do velho

    “eu gosto das estrelas, acho que é a ilusão da perpetuidade. Quer dizer, elas estão sempre se queimando, piscando e desaparecendo... Mas daqui eu posso fingir... posso fingir que as coisas duram, posso fingir que as vidas duram mais do que movimentos. Os deuses vêm e vão. Mortais lampejam, reluzem e se apagam. Mundos não duram, estrelas e galáxias são coisas transitórias e fugidias que piscam como vaga-lumes e se desfazem em pó e frieza. Mas posso fingir” -- “os sem-fim? Os perpétuos são apenas padrões, os perpétuos são ideias, os perpétuos são funções de onda, são motivos repetitivos. Nós somos ecos das trevas e nada mais. Não temos direito de brincar com a vida deles, ordenar seus sonhos e desejos. Até mesmo nossas existências são breves e limitadas, nenhum de nós vai durar mais do que esta versão do universo. Uma moeda de dois lados, destruição é necessária, nada novo pode existir sem a destruição do velho. As coisas são criadas, duram por algum tempo e desaparecem. Impérios, cidades, poemas e pessoas. Átomos e mundos. Ninguém pode iniciar m sonho sem abandonar o último, não é, irmão?” -- “A vida, como o tempo, é uma jornada através das trevas. Não tenho ideia de quanto será minha duração. Preciso manter a espada e o lago, mas deixarei o resto para trás.” -- ØØ – Não se pode buscar destruição e sair ileso, é o que diz Desespero. Depois de 9 volumes do arco “vidas breves”, a busca pelo perpétuo da destruição chegou ao fim. Esses volumes trouxeram à tona questões sobre arrependimento (quando destruição diz para sonho não se culpar pela partida dele) e também sobre adeus, morte, dever e mudança. A destruição é o motor para a criação. O velho dá lugar ao novo. Essa jornada contou com mortes, adeus e mudanças. Sonho e Delirium se aproximaram. Sonho superou outro amor não correspondido (é interessante notar que ele poderia dá literalmente qualquer coisa para qualquer pessoa, mas isso não é suficiente para encontrar ou comprar amor). Destruição não retornou para seu reino e as responsabilidades que sonho alega que ele tem. Em vez disso, ele segue um caminho de sua escolha, e não passa para outrem o peso de ser a destruição. Sonho reencontra seu filho, Orpheus, e após a despedida de destruição, ele retorna ao seu filho, decidido a concedê-lo o desejo que outrora lhe fora negado, a morte. “sua vida e morte lhe pertenciam.” (é o que ele diz, embora claramente não concorde e fique destruído com as consequências do ato). Perdão, compreensão e outras mudanças são trazidos a luz nas ações do senhor do sonho; assim como a destruição do que ele costumava ser, a princípio. -- “você poderia ter ido ao funeral dela. Por quê? Para dizer adeus. Ainda não disse adeus a Eurydice. Pois deveria, você é mortal. É a maneira dos mortais. Você vai ao funeral e se despede da morta. Você se enluta. Então continua com sua vida. E, às vezes, a ausência dela te atingirá como um soco no peito, e você irá chorar. Mas isto acontecerá cada vez menos com o passar do tempo. Ela morreu, você vive. Viva.” -- Ao fim, alguns lamentam sentados e sem ação a morte e a destruição daqueles que amavam, e pouco a pouco também abraçam a destruição de si mesmos por não verem mais nenhum sentido; Ao fim, alguns tentam substituir o que era e foi pelo que é e será, mas se deparam com o que é insubstituível; Ao fim, alguns tentam queimar todas as lembranças do que já foi, numa espécie de rito de despedida, mas se deparam com o imaterial; Ao fim, alguns desejam a destruição (a exemplo de Orpheus) para eliminar aquilo que só existem em suas mentes; Ao fim, alguns encontram uma nova vida e uma nova roupagem e aparência, em meio a pensamentos que lhe são privados; Ao fim, outros sentem a dor no peito que torna difícil respirar. E cavam mais fundo, o máximo que podem. E, já velhos, se despedem do novo e desejam que haja campos elísios e amor; desejam retorno a algum lugar, trevas ou luzes; ou talvez o nada; ou até mesmo o descanso. Ao fim, alguns desejam o surgir da primavera e o amadurecer do verão. Na esperança de sentir novamente a juventude. Mas sabem que, no fim, pode não haver outro verão ou outra primavera, mas apenas mais um lindo dia.

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    4.5 / 102
    • 5 estrelas69%
    • 4 estrelas22%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
    Neil Richard Gaiman profile picture

    Neil Richard Gaiman

    Neil Gaiman nasceu em 1960, na cidade de Portchester, Inglaterra. Desde pequeno, demonstrou sua ligação com os quadrinhos. Seu trabalho mais conhecido é "Sandman", que o imortalizou entre os fãs de HQs. Por 75 números, Gaiman e "Sandman" foram se tornando cada vez mais famosos. A série tornou-se o carro-chefe do selo Vertigo, destinado a um público geralmente adulto que não queria mais saber de super-heróis. O autor ganhou reconhecimento da crítica ao receber prêmios ao redor do mundo, entre eles o prestigiado World Fantasy Award, geralmente concedidos apenas a obras em prosa. Entre outros vários trabalhos com HQs, romances e roteiros, Gaiman publicou os livros "Coraline", "Deuses Americanos" e "O Livro do Cemitério".

    833 Livros
    6.679 Seguidores
    Hampshire, Inglaterra

    Neil Richard Gaiman