OBS: Essa resenha compreende uma releitura de outra resenha anteriormente postada por mim. Isso porque, o Sr Skoob resolveu deglutir a resenha anterior, fazendo-a desaparecer do meu perfil. Estupefata com o fato parti insistentemente em busca de uma explicação. Depois de muito ignorada recebi, sem maiores esclarecimentos, a sucinta comunicação de que deveria postar a resenha novamente. Sinceramente espero que a resenha engolida tenha provocado uma dolorida dor de barriga, para que tal fato lamentável não torne a acontecer.
O Homem Perfeito conta a história de Rajiv Travers, um jovem indiano negociado pela mãe indiana ao pai inglês e abandonado pelo pai e parentes. Ele termina sendo infligido na vida de uma escritora americana denominada Ruth. A partir de então, passa infância e adolescência numa pequena cidade fluvial do Missouri onde acaba desenvolvendo integração e amizade com um grupo de crianças de sua idade.
Por ser continuamente vítima de rejeição e discriminação (devido à cor de sua pele) o autor Naeem Murr conferiu como mecanismo de defesa ao personagem Rajiv uma máscara amarga de humor gaiato, comportamento no qual o personagem esconde os sentimentos dos outros. Somente em poucas passagens do livro e nas folhas finais é que o autor entrevem os reais sentimentos do personagem. Nesse ponto, o autor peca ao estender esse véu também ao leitor, pois termina perdendo uma provável cumplicidade transformando-os em mero expectador.
Outro aspecto do livro que chama atenção na narrativa do autor é em relação ao universo de seus personagens. Na interiorana cidade Pisgah onde se desenrola a historia não existe um único personagem feliz. Daí você poderia me perguntar: e existe felicidade? Apesar de ser algo um tanto quanto subjetivo responderia que não, no entanto acredito em paz interior e momentos felizes. Acredito também, que não existe um lugar no mundo onde todas as pessoas que ali se encontram sejam felizes ou mesmo se dando o contrário, que todas ali reunidas sejam infelizes. Todavia, Naeem Murr acredita. Isso porque o autor conseguiu elaborar um enredo em que todos os personagens morando numa mesma cidadezinha são tristemente conflituosos, beligerantes ou conformados, nenhum deles apresenta alguma paz interior ou sente-se minimamente confortável com sua vida.
Apesar dos aspectos levantados, “O Homem Perfeito” não pode ser considerado um livro ruim. A história é plausível e bem desenvolvida. Positivo também é perceber em meio a sofrimentos, desejos ocultos vergonhosos, loucura e crime o desenvolvimento de elos de amizade, fraternidade e amor. Leia e confira!