A Vida Inteligente dos Animais -

    Vitus B. Droscher

    Melhoramentos
    1977
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-2: NC
    Português Brasileiro
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    Taciane Ribeiro picture
    Taciane Ribeiro24/03/2013Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Clássicos são clássicos, mas nem por isso são bons.

    Cheguei a este livro por conta de duas citações nos livros de Marcel Benedeti. Fiquei curiosa e o encontrei no Estante Virtual. Ele foi escrito em 1977, e isso pode justificar muitas coisas contidas ali. A título de curiosidade ele é um bom livro e traz alguns exemplos famosos, mas que a maioria das pessoas que se interessa pelo assunto já conhece. No primeiro capítulo evidencia o fato de animais lamentarem seus mortos, cita Jane Goodall contando rapidamente um de seus momentos no Gombe, com os chimpanzés de sua pesquisa, até aqui agradável a leitura, encaminha-se para o segundo capítulo, que tem como atores principais os golfinhos. Aqui o autor já dá mostras que direção suas análises seguirão, apesar de ser conhecido por outros livros que abordam a alma dos animais, e com um discurso de defesa dos animais, fica evidente o antropocentrismo que o norteia. Termina o capítulo com uma predição, que graças a Deus não se cumpriu, de que faltava pouco para que os homens conseguissem "treinar" os golfinhos para "usá-los" como espécie de radar/guia em operações marítimas de guerra! Como abolicionista que sou, fiquei aborrecida com este capítulo. O próximo capítulo, foca na fidelidade e sociabilidade dos corvídeos, pinguins, aprendizado diferenciado do canto por diferentes espécies de pássaros além da formação de um líder em determinados grupos de animais. Bastante interessante, e apesar de ter sido escrito a tanto tempo muita coisa condiz com o recente a atualizado livro de John Alcock (Comportamento Animal). O quarto capítulo foca o "suicídio" de alguns animais quando supostamente chegam a super população. O quinto conta um pouco mais sobre a sociedade das hienas na tentativa de desmitificar a figura ignóbil e covarde criada no popular imaginário das pessoas. O capítulo mais difícil, em minha opinião, é o sexto e último. Quase desisti de ler, pois afronta tudo que eu acredito e defendo. Contudo não deixa de ser interessante, ver como nasceu e se disseminou o "culto a ciência", essa mania de justificar tudo e qualquer coisa que os cientistas fazem, pleo "bem" da ciência. O autor apresenta as piores experiências realizadas com primatas e roedores, que na época era uma novidade(com os filhotes resus - Dr. e Dra. Harlow, com filhotes de camundongos - Dr.Levine, e com Macaca e Cynopithecus - Dr. Rosenblum), evidentemente o estudo é exposto de forma resumida, como divulgação científica, uma vez que o livro é editado pela "Melhoramentos", imagina-se o público alvo. Nesta apresentação, as palavras são medidas, o experimento (que hoje se sabe detalhes sórdidos através de autores como Peter Singer e outros abolicionistas) é suavizado, e os resultados são superestimados como que justificando todas as atrocidades cometidas. Interessante perceber que o texto descreve conclusões de comportamento dos animais, que nos levam a pensar que eles foram estudados no habitat natural, mas ao ver as fotos percebemos os animais em jaulas. Uma vez que as pesquisas citadas quase em sua totalidade são de autoria de pesquisadores alemães, como o autor, e realizadas pelo Instituto Max Plank, fica implícito que macacos da Floresta Amazônica e de outras partes do globo estavam enjaulados lá do outro lado do oceano,separados de seus semelhantes e de seu habitat atural, a mercê da curiosidade humana. E pensar que hoje em 2013, não é muito diferente. Ao menos boa parte dos interessados na "Vida Inteligente dos Animais" não se deixa iludir mais pela falsa ciência.

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