Romance das origens, origens do romance -

    Marthe Robert

    Cosac Naify
    2007
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-17: 978-85-7503-622-8
    Português Brasileiro

    "Por que o romance?" A pergunta que faz Marthe Robert (1914-1996) na abertura deste ensaio questiona a força obscura que leva os homens a contar histórias. A partir de um pequeno estudo de Sigmund Freud, "O romance familiar dos neuróticos" (1909), a autora estabelece o esquema argumentativo que agrupará os romances em dois ramos: o que contará a história da criança perdida ou a história do bastardo. Marthe Robert encontra em dois dos maiores romances da era moderna, a efetivação de cada um dos paradigmas freudianos do desenvolvimento individual. São eles Dom Quixote (1605), de Miguel de Cervantes, e Robinson Crusoé (1719), de Daniel Defoe. Para Yudith Rosenbaum, professora da Universidade de São Paulo (USP), que assina a orelha do livro, "aliando erudição e um instrumento interpretativo de largo alcance, a autora realizou uma obra essencial à compreensão do herói romanesco, em permanente conflito entre os limites da experiência e a liberdade do devaneio".

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    Luciana Darce21/08/2019Resenhou um livro
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    Ganhei esse livro de presente e, de cara quando abri o envelope, olhei para o título, o título olhou para mim e tive de começar a ler imediatamente. Mais um volume de crítica para a estante e mais um tanto de referências com que construir minha própria crítica. Diferente de outros livros que já recomendei cá no blog sobre o assunto, não indico a obra de Marthe Robert para leigos. O texto é denso, bem teórico e há muita informação cruzada com psicanálise (e eu, que tenho vários pés atrás com Freud, precisei manter a mente aberta no assunto). Ainda assim, achei muito interessante a maneira como Robert trabalha a ideia dos ramos romanescos, divididos em duas categorias: a Criança Perdida e o Bastardo, ligados aos conflitos de identidade do personagem, tendo o <i>Robinson Crusoé</i> de Defoe e o Dom Quixote de Saavedra como seus paradigmas. Essa divisão vem de Freud e seu estudo <i>O romance familiar dos neuróticos</i>, no qual se argumenta que ao se decepcionar com a figura imperfeita dos pais, a criança fabricará sua identidade inventando para si uma família substituta. Em primeiro lugar, se considerará perdida, órfã, criada por si mesma - encontrando assim uma razão para o sentimento de estranheza causada pelos pais. Em segundo lugar, será bastarda, cujo mistério do nascimento esconde suas origens nobres: ela constrói para si uma genealogia de deuses e reis (e achei muito a propósito que Napoleão tenha sido usado para explicar esse conceito). De novo, não é um texto fácil, mas tem análises muito interessantes. Além de Defoe e Saavedra, Robert investiga figuras como Balzac e Flaubert, no processo explorando a necessidade que o ser humano tem de contar histórias.

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