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    O dom do crime -

    Marco Lucchesi

    Record
    2010
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-13: 9788501091680
    Português Brasileiro
    3.2
    127 avaliações
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    Dono de profunda precisão verbal, Lucchesi não é um autor qualquer. Seu texto foge da simplicidade, mas se mantém aberto à criação. O resultado é uma mistura de prosa e poesia, numa linguagem que encanta e hipnotiza. Tradutor, ensaísta e poeta premiado, Lucchesi volta seu talento para outro gênero e se lança, pela primeira vez, ao romance com o aguardadíssimo O dom do crime. Lucchesi cria um delicioso narrador-autor, não identificado, que conta uma história para o futuro. Um homem do século XIX que, ao ser aconselhado pelo médico a escrever suas memórias, se lança não para a própria vida, mas sobre um crime passional, notícia no Rio de Janeiro de Machado de Assis. Esse misterioso narrador traça paralelos curiosos entre este assassinato, o julgamento que absolve o marido supostamente traído e a obra mais aclamada de Machado, Dom Casmurro. Terá o Bento de Machado qualquer coisa do real José Mariano? E Capitu teria sido inspirada em Helena, a esposa que sucumbe ao ciúme do marido? Todos os dados de ordem informativa, factual, foram longamente pesquisados e comprovados, em papel velho e fontes congêneres — tudo passou pelo crivo de Lucchesi. Mas, para além disso, o romance traz uma flutuação permanente entre literatura e documento, história e ficção. Em O dom do crime, real e ficcional se entrelaçam numa obra de fôlego, em que os julgamentos dificilmente encerram a verdade dos fatos, a complexidade da vida. "Precisei realizar essa dinâmica todo o tempo, de modo a que o leitor se perguntasse, como num jogo, onde começa esta e onde termina aquela", argumenta Lucchesi.

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    Anica Bitten13/01/2011Resenhou um livro
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    O Dom do Crime (Marco Lucchesi)

    Poucas obras nacionais mexem tanto com o imaginário popular quanto Dom Casmurro, de Machado de Assis. Algumas vezes mesmo aqueles que terminaram o ensino médio com um certo trauma da obra, ainda assim embarcam em discussões sobre o romance, que invariavelmente acabam na velha pergunta “Capitu traiu ou não traiu?”. A crítica literária já se debruçou sobre essa questão, mas a verdade é que nunca há de se saber. E por não existir resposta que talvez tantos escritores busquem romancear sua visão do que aconteceu. É o caso de Marco Lucchesi, com seu romance de estreia, O Dom do Crime. Tomando como ponto de partida um crime passional que ocorrera no Rio de Janeiro nos tempos de Machado de Assis (mais precisamente em 1866), Lucchesi acaba por nos mostrar através do romance que Capitu é apenas uma vítima em uma sociedade machista que ainda absolvia criminosos por crimes de “limpeza de honra”, tomando como referência a ideia de que Machado inspirou-se no crime para criar sua famosa personagem.É interessante que Lucchesi tenha escolhido o romance para mostrar esse ponto de vista. Porque o que temos em mão é uma obra de ficção, que mescla fatos reais com elementos de ficção. Apresenta-se assim um labirinto para o leitor, uma espécie de jogo, no qual a tarefa é separar o que é a linha da realidade e o que é da ficção. Para tal, o autor traz uma personagem-narradora, sem nome. Do mesmo modo que Bentinho, ele deve escrever suas memórias (embora aqui, por indicação do médico). Ele decide que a vida alheia é mais interessante, então foca suas memórias no crime ocorrido em 1866, no qual o médico José Mariano da Silva louco de ciúmes, mata a esposa Helena Augusta, que acredita estar o traindo. O homicídio de fato ocorreu, e eram figuras importantes da sociedade carioca daqueles tempos. Dr. José Mariano da Silva chegou até mesmo a ser médico do pai do poeta Olavo Bilac. Por causa disso, o crime ganhou bastante destaque e foi assunto por muito tempo – e é a partir disso e do fato de que Machado na época trabalhava no Diário do Rio de Janeiro e provavelmente teve um contato direto com a notícia que Lucchesi acredita ser possível afirmar que o crime serviu de inspiração para Machado de Assis escrever Dom Casmurro. Uma vez que o narrador e sua motivação nos são apresentados, passamos então a saber dos detalhes do crime, seu julgamento e o que eles tem em comum com a obra de Machado de Assis. O interessante é que ao longo do que em alguns momentos soa quase a um ensaio teórico, temos diversas citações e recordações de Machado. Assim, O Dom do Crime surge mais do que tudo como uma homenagem ao escritor. Provavelmente a obra tenha um sabor diferente para aqueles que acabaram de ler Dom Casmurro, e estão com alguns detalhes do romance mais frescos na memória. Isso porque Lucchesi faz algumas considerações bastante interessantes sobre o texto, que conduzem o leitor a imagem de que Bentinho era louco de ciúmes como o Dr. da Silva e, mais do que isso, fruto da mesma sociedade que transformava uma mulher em adúltera num piscar de olhos. O texto é ágil, dividido em capítulos e com um punhado de metalinguagem. Bastante agradável e indispensável para os fãs de Machado, mas especialmente para aqueles que gostam de ver em um romance um pouco do contexto histórico da época que ele retrata, e para quem gosta do desafio de separar a realidade da ficção. Como curiosidade, deixo o link para o livro O Juri da Corte 1866: O crime do Dr. José Mariano da Silva, que descreve os eventos que Lucchesi toma como base para o romance. Para saber mais, basta clicar aqui >> http://www.eticaeditora.com.br/catalogo/livro/o-juri-da-corte-1866-o-crime-do-dr-jose-mariano-da/

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    Marco Lucchesi

    O poeta, escritor, ensaísta e tradutor brasileiro Marco Lucchesi, nascido em 1963, no Rio de Janeiro, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Colégio do Brasil. É formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ e Pós-Doutor em Filosofia da Renascença na Universidade de Colônia, na Alemanha. É pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Diretor Acadêmico do Colégio do Brasil, Professor-Visitante da Universidade de Roma ”Tor Vergata” e da Universidade de Craiova na Romênia e Editor da Coordenação Geral de Pesquisa e Editoração da Biblioteca Nacional. Foi escolhido para a Academia Brasileira de Letras no dia 3 de março de 2011, como o 7ª ocupante da Cadeira nº

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    RJ, Brasil

    Marco Lucchesi