Impedido de ser publicado à época de seu lançamento, em 1928, pelas "palavras inapropriadas" e por tratar de sexo e traição de modo explícito, este romance chega aos dias de hoje como um clássico da literatura. Introdução de Doris Lessing, vencedora do prêmio Nobel. Poucos meses depois de seu casamento, Constance Chatterley, uma garota criada numa família burguesa e liberal, vê seu marido partir rumo à guerra. O homem que ela recebe de volta está paralisado da cintura para baixo, e eles se recolhem na vasta propriedade rural dos Chatterley. Inteiramente devotado à sua carreira literária e depois aos negócios da família, Clifford vai aos poucos se distanciando da mulher. Isolada, Constance encontra companhia no guarda-caças Oliver Mellors, um ex-soldado que resolveu viver no isolamento após sucessivos fracassos amorosos. Último romance do autor, O amante de lady Chatterley foi banido em seu lançamento, em 1928, e só ganhou sua primeira edição oficial na Inglaterra em 1960, quando a editora Penguin enfrentou um processo de obscenidade para defender o livro. Àquela altura, já não espantava mais os leitores o uso de "palavras inapropriadas" e as descrições vivas e detalhadas dos encontros sexuais de Constance Chatterley e Oliver Mellors. O que sobressaía era a força literária de Lawrence e a capacidade de capturar uma sociedade em transição. Esta edição inclui o texto "A propósito de O amante de lady Chatterley", em que Lawrence comenta a controvérsia em torno do livro e justifica suas intenções literárias, e ainda uma introdução de Doris Lessing, vencedora do prêmio Nobel de literatura em 2007. Um apêndice e notas explicativas situam o leitor na geografia das Midlands e no vasto contexto social e político no qual a trama está inserida.
O amante de lady Chatterley -
D. H. Lawrence
Um livro que diz mais do que parece à primeira vista...
Um livro polêmico lançado em 1929 pelo autor, (um ano apenas antes de sua morte) já que a pirataria de sua obra o obrigou a fazer significativas modificações no manuscrito original. Um livro que em 1960 foi processado judicialmente para que não fosse publicado no país de origem do autor (a Inglaterra) e que também foi proibido nos E.U.A. Um livro que até hoje ainda é mal visto por várias pessoas pelo mundo, mesmo sendo considerado um clássico. Porém o mais importante (na minha opinião) é que D. H. Lawrence não escreveu apenas um livro sobre sexo e traição, considero O Amante de Lady Chatterley uma história bem escrita com um desenvolvimento sucinto e empolgante que faz vários apontamentos importantes sobre assuntos pertinentes. Lawrence, que acometido pela tuberculose sabia que lhe restava pouco tempo, considerou o livro como seu testamento. Talvez por isso nele se percebe uma carga de tristeza, de desesperança, finitude, rancor e desprezo pela sociedade. Considero impossível fazer essa leitura focada apenas no romance entre Connie e Mellors, que sim: é o ponto central do livro, é explicitamente gráfico e tem alguns problemas que consigo identificar, como a inabilidade de Lawrence de entender e descrever o prazer feminino e algumas falas problemáticas dos personagens de Clifford, seus amigos e de Mellors. Vejo no romance bem mais que sexo, considero que os personagens travam uma fuga da solidão a que foram impostos pelas circunstâncias da vida e protagonizam um romance mergulhado em medos, incertezas, desalento e com uma carga enorme de melancolia. A explicitação do sexo ao meu ver, foi feita exatamente para chocar e calar o puritanismo de uma sociedade hipócrita, reprimida e dissimulada. A temática abordada por Lawrence é uma pregação acalorada contra a sociedade de sua época e sobre a ignorância sexual. Entretanto o livro também habilmente é usado para criticar o sistema socioeconômico da Inglaterra, mostrar todo o impacto da Primeira Grande Guerra (naqueles que sobreviveram e em seus familiares), o impacto das máquinas inseridas no mercado de trabalho dos ingleses e a transformação no meio ambiente causada por elas. "A qualidade do horror de Lawrence diante do que acontecia a seu país, a sensação que transmite, certamente nos lembra alguém muito semelhante — Tolkien. Sabemos que as visões do inferno de Tolkien foram inspiradas pelo que viu na Primeira Guerra Mundial, e as “oficinas negras e satânicas” de Blake nunca foram mais bem imaginadas que na filmagem de O senhor dos Anéis." Gostei muito da escrita do autor e da forma como a história é desenvolvida. O Amante de Lady Chatterley carrega uma grande força literária que considero impossível não impactar o leitor de alguma forma. Gostei da leitura e recomendo que as pessoas leiam com a mente aberta e tirem suas próprias conclusões.
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