O Portal - Contatos Alienígenas é uma obra que vai prender sua atenção pela diversidade de casos relatados e pelos mistérios que envolem aparições de Ovnis. Dentre as casuísticas narradas no livro, são citados: Ovni sobre a Casa de Detenção; Ovnis sobre a Serra dos Itatins; "Ruínas do Abarebebê", em Peruíbe; O estranho portal: Extraterrestres no Amazonas; As abduções; O caso Roswell; O caso Varginha; O caso de Betty e Barney Hill; Os misteriosos homens de negro, e muito mais...
O Portal - Contatos alienígenas
José Guilherme Raimundo
Como prestar um desserviço à ufologia
Possivelmente o pior livro que já li na vida, de ufologia com certeza foi o pior (em segundo lugar fica O Povo do Espaço, de Paulo de Carvalho Neto e em terceiro Ets, Santos e Demônios na Terra do Sol, de Reginaldo de Athayde - embora no geral os livros sobre esse assunto mostrem seriedade). O Portal vai além do constrangedor. O autor não teve a menor preocupação em se manter coerente, pulando de um assunto para outro a cada parágrafo, ou até dentro de um mesmo parágrafo. A sensação é de se ler um texto escrito por uma criança de 12 anos. Além disso, talvez sua formação como jurista o tenha impregnado com vícios de linguagem, algo que já notei no livro de outro advogado e ufólogo (O ET de Varginha, de Ubirajara Rodrigues). Pra quê dizer que as vítimas estavam em decúbito dorsal, se logo depois é necessário explicar que esse termo significa "deitado de costas"? As teorias mais esdrúxulas são apresentadas como fatos consumados e tampouco parece ter havido percepção das inúmeras contradições entre os capítulos (ele demora um tanto a decidir se os alienígenas são bons, maus ou ambos. Finalmente se decide pela última opção, mas recai no velho clichê simplório de que os do tipo bom farão um contato final e irão redimir a humanidade de todos os seus males). Parece ter adorado a ideia de que Hitler foi um joguete de forças alienígenas porque voltou nisso toda a vez em que o assunto era minimamente relacionado - e quando não era também. Por algum motivo desconhecido os seres encontrados em Varginha foram repetidamente classificados como "animais extraterrestres". Foi constrangedor ler três vezes ou mais o conselho de que o leitor não deveria se aproximar ou muito menos tocar um OVNI pousado; e que na presença de seus tripulantes não se deve demonstrar medo ou fazer "movimentos bruscos", mesmo que a testemunha esteja armada, ou principalmente nesse caso, porque nossas armas são brinquedos diante de seus raios desintegradores.. Em algumas passagens o constrangimento dá lugar ao risível. Como reagir diante da teoria, apresentada com toda a seriedade, de que o chupacabras poderia ser algum tipo de besouro mutante que adquiriu tamanho descomunal e hábitos hematófagos por mamíferos, inclusive humanos? Ainda bem que o autor não assistiu ao filme Mutação, do contrário creio que teríamos um capítulo inteiro dedicado a essa teoria. Há sim descrição de episódios intrigantes, como a nuvem que continha uma forma vermiforme se contorcendo sobre um presídio, além de outros fenômenos supostamente presenciados pelo autor, mas o amadorismo com que ele se lançou a esse projeto, talvez injustamente, diminui a credibilidade. No final fiquei com a impressão de que ele foi um tanto ingênuo, sem se aprofundar realmente nesse fenômeno tão interessante, mas isso não diminui o completo desastre dessa obra. Não costumo julgar um livro pela capa, mas dessa vez deveria ter feito isso.
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