Uma luz em meu ouvido - História de uma vida, 1921-1931

    Elias Canetti

    Companhia de Bolso
    2010
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-10: 8535917683
    Português Brasileiro

    Uma luz em meu ouvido, A língua absolvida, O jogo dos olhos: trilogia autobiográfica em que o prêmio Nobel de 1981 relembra seus anos de formação, da Bulgária pré-Grande Guerra à Berlim dos anos 30. Nascido em 1905, Elias Canetti, prêmio Nobel de Literatura de 1981, é uma das maiores figuras intelectuais do século. Verdadeiro polígrafo, ele é autor não só de um romance fundamental — Auto-de-Fé —, como de uma obra-prima da teoria social — Massa e poder — e de ensaios político-literários extremamente lúcidos, incluídos em A consciência das palavras. Mas talvez seja na autobiografia que seu gênio se evidencie com maior clareza. Com este segundo volume, Uma luz em meu ouvido, Canetti nos oferece um retrato espantosamente rico de Viena e Berlim nos anos 20, do qual fazem parte não só familiares do escritor, como sua mãe ou sua primeira mulher, Veza, mas também personagens famosos como Karl Kraus, Bertolt Brecht, Geoge Grosz e Isaak Babel, além da multidão de desconhecidos que povoam toda metrópole. Primeiro volume: A língua absolvida. Terceiro volume: O jogo dos olhos. Sua presença exigente honra a literatura. — George Steiner

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    Karin de Guise28/02/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Elias Canetti - Autobiografia II

    Este segundo volume de suas memórias compreende a década de 1920, que ele passa em Frankfurt, Berlin e Viena. O livro, como tudo de Canetti, é muito bem escrito, e ele faz uma descrição vívida das pessoas que encontra e do processo criativo que dará origem à sua obra principal, Massa e Poder (publicada apenas em 1960). Ele observa indivíduos porque, para ele, o fenômeno coletivo — a massa — nasce justamente da dinâmica psicológica das pessoas. É como se estivesse recolhendo material humano antes de analisar o fenômeno político. Entre as figuras que atravessam essas páginas estão sua mulher, Veza, Bertolt Brecht — de quem faz um retrato pouco lisonjeiro —, Karl Kraus, George Grosz e Isaac Babel. Há também descrições de encontros com diversos desconhecidos passageiros que o marcaram. No entanto, senti falta de uma descrição mais detalhada da época em si, do esprit du temps, dos fatos históricos. Afinal, trata-se da década da ascensão dos regimes totalitários na Europa, que acabariam moldando o mundo. A década de 1920 em Berlin, Viena e Frankfurt não é pano de fundo neutro: é hiperinflação alemã, humilhação do Tratado de Versalhes, radicalização ideológica, crescimento do antissemitismo (e ele era judeu!), colapso da República de Weimar. Talvez por eu me interessar tanto por História, o livro me deixou um leve gosto de frustração. Canetti faz a anatomia dos indivíduos, mas não a radiografia do tempo.

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