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    Child of God -

    Cormac McCarthy

    Picador
    2007
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9780330306430
    3.9
    18 avaliações
    Leram30Lendo3Querem40Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados40Avaliaram18

    In this taut, chilling novel, Lester Ballard--a violent, dispossessed man falsely accused of rape--haunts the hill country of East Tennessee when he is released from jail. While telling his story, Cormac McCarthy depicts the most sordid aspects of life with dignity, humor, and characteristic lyrical brilliance.

    Resenhas (1)Ver mais
    Newton Ribeiro Rocha Júnior picture
    Newton Ribeiro Rocha Júnior17/09/2014Resenhou um livro
    0

    As Raízes da Violência!

    Cormac McCarthy é um dos autores contemporâneos mais acplamados pela crítica. E não é para menos, você tem que respeitar um escritor que o grande Harold Bloom nomeou como um dos quatro maiores escritores americanos de todos os tempos, junto com Don DeLillo, Thomas Pynchon e Philip Roth. Eu mesmo babei no The Road, e no impressionante Blood Meridian. Cormac é um escritor para ser estudado e relido várias vezes. Seu estilo é seco e direto ao ponto, mas de uma simplicidade enganadora, dentro da linha do Ernest Hemighway, mas muito, muito brutal. Um dos meus planos para esse ano é ler todos os livros do Cormac McCarthy. Como eles são densos (cada livro é uma porrada no estômago), vou intercalar com outras narrativas, para digerir melhor o universo das narrativas brutais e selvagens da cultura do oeste americano. Child of God é o terceiro livro do Cormac, lançado em 1973. É um livro relativamente curto, cerca de umas duzentas e poucas páginas, mas impecavelmente escrito, uma prosa econômica, sem nenhuma palavra desperdiçada. É quase uma história de horror, descrevendo a vida violenta de um jovem renegado, praticamente um monstro psicopata, no interior do Tennessee durante a década de 60. Assim como nos demais livros do Cormac, é uma história que lida com os efeitos do isolamento extremo, tocando em temas como a perversidade, a selvageria que reside nas profundezas da natureza humana, e a alienação e falta de sentido da realidade, principalmente quando se afasta das estruturas da civilização. A narrativa é muito violenta e horrenda, e isso vindo de um leitor que está acostumado com literatura de horror. Não é uma história com lições morais, mas uma narrativa complexa que causa uma mistura de confusão, iinquietudee, para mim, prazer literário (além de suspense, o Lester é um dos personagens mais medonhos que já li). Parece que o objetivo de Cormac é incomodar, é abalar as certezas civilizadas de seu leitor. Os detalhes são hiperrealistas, os temas macabros o suficiente para desconcertar o leitor. E ao mesmo tempo, Lester Ballard causa, em algumas cenas, a empatia de um monstro incompreendido, mesmo sendo um personagem deplorável em todos os sentidos. Não é um livro que recomendo para qualquer um, é de virar o estômago mesmo. Fiquem avisados! Por puro acaso, vi paralelos entre o Child of God e o The Stranger do Albert Camus, que li recentemente. Todos os dois tratam narram a vida de assassinos, tem uma filosofia existencialista por trás, mas o mais bizarro é que a alienação em The Stranger está ligada à condição do homem dentro de uma sociedade civilizada, enquanto em Child of God, a alienação vem de um homem isolado pela natureza selvagem, e pela distância entre seu mundo e as regras e estruturas da sociedade civilizada. Dois extremos que se encontram no estado de alienação de seus protagonistas em relação ao resto da raça humana. Outra comparação que fiz foi entre Child of God e American Psycho (Psicopata Americano, que virou um filme-meme também) do Bret Eason Ellis, com o primeiro trazendo um psicopata versão da roça e o segundo, um personagem semelhante mas que cresceu dentro do universo dos playboys ricos da Nova York dos anos 80. As narrativas se assemelham muito em tema, principalmente quando os protagonistas entram no modo de sobrevivência, à medida que seus crimes começam a ser descobertos. Cormac tem uma prosa impressionante. Ele não tá nem aí para as convenções de narrativa e de pontuação, mudando entre diversos estilos de escrita, passando de descrições secas para prosa poética e para narrativa em primeira pessoa sem nenhuma indicação. O que é mais medonho é que no final dá para ver claramente a narrativa, como um filme, totalmente cinematográfica. Esse aspecto cinematográfico, e os efeitos criados com poucas palavras me impressionou muito. Recomendo, aos escritores inciantes, estudarem as cenas desse livro, principalmente a sequência que ocorre dentro de um dos carros das vítimas do protagonista. Fodásico, fodásico, fodásico! Fica a recomendação. O livro saiu em português com o nome Filho de Deus, pela editora Relógio da Água, em 2013, mas é claro, recomendo ler em inglês! :) E depois dessa parada no Tennessee, comecei a leitura das Crônicas Saxônicas, a famosa saga do Bernard Cornwell (leitura obrigatória para quem escreve fantasia medieval no Brasil, todo mundo já leu o cara por aqui! :). E simbora para a Northumbria!

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 18
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Charles McCarthy, Jr. profile picture

    Charles McCarthy, Jr.

    Cormac McCarthy (Rhode Island, 20 de julho de 1933) é um escritor norte-americano. Na juventude serviu na Força Aérea dos Estados Unidos durante quatro anos, e estudou Artes na Universidade do Tennessee. É vencedor do National Book Award, do National Book Critics Circle Award e do Prémio Pulitzer de Ficção 2007. Em 40 anos de carreira literária, produziu nove romances, entre eles Todos os Belos Cavalos, A Travessia e Cidade das Planícies, que o autor batizou de Trilogia da Fronteira. Onde os Velhos Não Têm Vez, lançado nos Estados Unidos em 2005, foi adaptado para o cinema pelos irmãos Joel e Ethan Coen, em seu filme No Country for Old Men, lançado em 2007 e vencedor do prêmio Oscar de melhor filme, em 2008. Avesso a entrevistas, Cormac McCarthy gosta de manter sua privacidade. O escritor tem sido comparado nos últimos anos a outros grandes nomes do romance contemporâneo norte-americano, como Don Delillo, Philip Roth ou Thomas Pynchon. No Brasil, McCarthy já foi publicado pela Editora Objetiva, pelo selo Alfaguara e pela Cia. das Letras, com os títulos Onde os Velhos Não Tem Vez, A Estrada, Meridiano de Sangue, Todos os Belos Cavalos, A Travessia e Cidade das Planícies.

    34 Livros
    197 Seguidores
    Rhode Island, Estados Unidos

    Charles McCarthy, Jr.