Drácula, o morto-vivo -

    Dacre Stoker, Ian Holt

    Ediouro
    2010
    442 páginas
    14h 44m
    ISBN-13: 9788500024894
    Português Brasileiro

    Finalmente a sequencia de Drácula, o clássico romance de Bram Stoker, escrito por um historiador de Drácula e seu descendente direto, Drace Stocker! Nesta retomada da mais clássica trama vampiresca, Drácula, o morto-vivo é ambientado em 1912, uma escolha deliberada, mas que permite uma aparição do próprio Bram Stoker, que morreu em 20 de abril de 1912. Ainda mais fundamental para história é que os autores podem encaixar sua conclusão com a partida do Titanic, que também ocorreu em abril. O drama do casamento de Mina e Jonathan, a luta incansável de Seward contra vampiros e os detalhes mais sanguinários e perversos da vida de Elizabeth Bathory são alguns exemplos das histórias deste romance; histórias que se entrelaçam pelo envolvimento de um personagem: conde Drácula.

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    Geanne D'arc de Carvalho25/12/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vampiros sim! E malvados, por favor.

    O primeiro filme de vampiro de que me lembro de assistir era uma comédia de humor negro de Roman Polanski, “A dança dos vampiros”, produzida em 1967 e que me alcançou em minha infância nos anos 70. Eu me lembro de eu e meus irmãos rolarmos de rir das trapalhadas do Professor Abronsius e seu ajudante Alfred (estrelado pelo jovem Polanski) em sua busca para comprovar a existência de vampiros na Transilvânia. Anos mais tarde, em 1985, já na minha adolescência, foi que me apaixonei definitivamente por vampiros depois de assistir o arrepiante “A hora do pesadelo”. Chris Sarandon estava magnífico no papel do vampiro lindo, sexy e mortal. Acho que foi este personagem que me fez formar o perfil de um vampiro, porque acredito no vampiro como um predador inteligente que atrai suas vítimas pelo charme, mas eles não são os mocinhos. Nem podem ser. Afinal, os meninos malvados muito mais sedutores e mais divertidos! Li “Drácula” de Bram Stoker pouco tempo depois e gostei demais. Ele era tudo que eu esperava de um vampiro. Malvado, sim, mas capaz de amar também, porém do jeito dele. Tive também a grata satisfação de ser apresentada ao vampiro Lestat de Anne Rice. Ele é um dos meus preferidos! Tão absolutamente imprevisível! Lestat pode fazer algo absurdamente bom no momento e algo terrivelmente mau a seguir. É maravilhoso! Em 2006, tive a felicidade de ler “O historiador” de Elizabeth Kostova, que reunia 10 anos de pesquisa sobre o príncipe Vlad III da Valáquia, o Drácula original, o personagem histórico real que nunca foi conte e era um herói cristão que lutou contra a invasão otomana em seu território. A forma violenta com tratava seus inimigos e os punia é que fizeram surgir as lendas em torno de sua figura controvertida. O fato é que vampiros despertam nosso interesse pelo sobrenatural e é impossível ficar indiferente a eles. Tanto que recentemente tivemos um verdadeiro surto literário deles começando com a saga “Crepúsculo”, que particularmente achei deprimente (que perdoem os fãs). Vampiros “vegetarianos”? ! Tudo bem! Eu sei que Meyer é mórmon e usou muito de suas crenças pessoais para construir o caráter da família Cullen, mas fiquei decepcionada(principalmente com a questão de eles brilharem ao sol. Credo! Vampiro purpurinado é muito para minha cabeça!). O fato é que estes e outros livros sobre vampiros “bonzinhos” que vieram depois me deixaram chateada. Por isso, fiquei muito feliz com a publicação de “Drácula, o morto-vivo”, escrito por Ian Holt e Dacre Stoker (sobrinho-bisneto de Bram Stoker), uma continuação do romance original. Os puristas (que não é o meu caso) vão perceber alguma incongruência na cronologia do texto original, mas não é nada que estrague a trama. Muito pelo contrário, situando a história de Bram Stoker em 1888, os autores dão margem ao aparecimento de Jack, o Estripador, um personagem real cujos crimes insolúveis vão afetar diretamente nossos heróis 25 anos depois de terem destruído Drácula. Jack é apenas uma das figuras reais que fazem parte da história de Holt e Stoker. Como a trama se passa em 1912 encontramos com Bram Stoker que morreu em abril aquele ano, temos também Hamilton Deane, Henri Salmet, Frederick Abberline e John Coffey, entre outros. Fiquei impressionada com a descrição da época. Os primeiros automóveis circulando pelas ruas junto com as carruagens, a iluminação a gás dando lugar à elétrica, o uso do telefone substituindo o telégrafo, prédios com elevadores, a polícia começando a usar a medicina forense para resolver crimes e assim por diante. O mundo moderno dando lugar ao antigo. Um mundo em que as mudanças acontecem depressa demais e que não combina com mitos e crenças como vampiros. É nesse mundo que a trama de “Drácula, o morto-vivo” se passa, um quarto de século após o final de “Drácula, o vampiro da noite” de Bram Stoker. Os heróis do primeiro livro se distanciaram uns dos outros, mas nenhum deles é feliz. Todos parecem sofrer de uma maldição. O Dr. John Seward se tornou um viciado em morfina, Arthur Holmwood não consegue esquecer Lucy, Dr. Abraham van Helsing ainda é um velho obcecado com problemas cardíacos, Jonathan e Mina Harker vivem um casamento de aparências e filho deles, Quincey, se ressente porque os pais não o deixam seguir a carreira artística o que causa inúmeros conflitos entre eles. É nesse contexto que somos apresentados a um novo inimigo: a prima de Vlad, condessa Elizabeth Bathory, um mal ainda maior e mais poderoso que Drácula. Enquanto este se julgava um guerreiro a serviço de Deus, ela culpa o Criador por todas as suas perdas. Drácula era mais cavalheiresco ao cumprir sua sina, mas Bathory se diverte em matar, se banhar no sangue de suas vítimas e se deleitar com a dor que provoca enquanto corre atrás de uma antiga vingança. Outros personagens são acrescentados a trama como os agentes e inspetores da Scotland Yard e polícia, algumas figuras reais e outros personagens complementares. O clima gótico é mantido. O livro nos leva a uma corrida contra o tempo, com direito a perseguições de tirar o fôlego, cenas de puro terror e suspense, lutas mortais, muita violência e mortes cruéis. A questão sobre Drácula continuar vivo ou estar morto é levantada várias vezes no decorrer da história. Em algumas ocasiões temos certeza de que ele está espiando tudo de longe, em outras que está definitivamente morto e não tem nada a ver com os atuais acontecimentos. Os leitores que tem pleno conhecimento da biografia da figura real, Vlad Tepes, saberão desvendar este mistério já bem no início do livro (esta é a única pista que vou dar), o que não altera em nada o suspense da trama. Drácula, morto ou vivo, não altera o fato de que o inimigo, desta vez, é muito mais poderoso e perverso e precisa ser eliminado a qualquer custo. Gostei muito do livro, mas posso ser um pouco suspeita já que adoro vampiros como Drácula (Abaixo os vampiros “vegetarianos”!). No entanto, devo destacar que foi uma continuação que não deixou nada a desejar ao original. Gostei muito de que fosse narrado em terceira pessoa para assim ter uma panorâmica maior de cada lance. Os personagens estão muito bem construídos e os fatos se entrelaçam muito bem. Os autores tiveram o tato de deixar um hiato no final, do tipo que dá margem para especulações sobre mais um segundo livro. Aquele suspense básico de final de filme de terror que sempre deixar a gente com gostinho de quero mais. Recomendo o livro e espero que quem o ler goste tanto quanto eu.

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