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    Ficções do Interlúdio /1 - Poemas Completos de Alberto Caeiro

    Fernando Pessoa

    Record
    1980
    151 páginas
    5h 2m
    ISBN-10: 8501159115
    Português Brasileiro
    4.4
    153 avaliações
    Leram307Lendo6Querem52Relendo1Abandonos1Resenhas9
    Favoritos6Desejados52Avaliaram153

    Da coleção "Mestres da Literatura Brasileira e Portuguesa". Editora Record/Altaya.

    Resenhas (9)Ver mais
    Régis Maz picture
    Régis Maz11/02/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Enfim, parei de reler para escrever a resenha

    Ler "Poemas Completos de Alberto Caeiro" (um dos heterônimos de Fernando Pessoa) foi como caminhar por um campo aberto, respirando o ar puro, sem pressa de chegar a lugar algum. Talvez por isso eu tenha lido com extrema calma e retornado várias vezes a ele antes de sentir vontade de escrever uma resenha. A princípio, em "O Guardador de Rebanhos", fui apresentada a um poeta que enxerga o mundo com uma simplicidade quase desconcertante. Caeiro observa a natureza sem a ânsia de buscar significados ocultos; para ele, um rio é só um rio, uma árvore é só uma árvore, e isso basta. Sua relação com o mundo é direta, quase crua, como se olhar e existir fossem suficientes. Mas o que tornou a experiência de leitura verdadeiramente completa foi perceber que, por trás dessa simplicidade radical, existe uma humanidade que se revela aos poucos. Nos poemas seguintes, especialmente em "O Pastor Amoroso" e em versos mais soltos, Caeiro me surpreendeu ao expor sentimentos que parecem contrariar sua filosofia inicial. Ele fala de um amor não correspondido, de uma fragilidade emocional que rasga o véu da aparente indiferença. E, quando se aproxima da morte, seus poemas ganham um tom de despedida sereno, mas inevitavelmente tocante. O ciclo de vida do heterônimo se desenha de forma sutil, sem uma narrativa linear, mas com uma trajetória que vai da contemplação pura ao confronto com o amor e, por fim, com a própria finitude. E foi justamente essa evolução que tornou Caeiro mais humano para mim. Suas contradições, longe de enfraquecer sua visão de mundo, a tornam mais rica, mais real. A leitura foi imensamente gratificante porque, apesar de ter me encantado com "O Guardador de Rebanhos", foram os outros poemas que completaram a experiência, dando-me uma visão mais ampla do poeta. Caeiro deixou de ser apenas o "mestre da simplicidade" e se tornou, aos meus olhos, alguém real, vulnerável, um poeta que tentou negar a complexidade da vida, mas que, no fundo, nunca conseguiu escapar dela. Agradeço a um amigo especial pelo maravilhoso presente que foi este livro, que se tornou minha primeira leitura da obra de Fernando Pessoa. Agradeço imensamente ao Ricardo por ter tido muita paciência para me ouvir falar, por semanas, sobre os poemas e por contribuir com muito do que sabe sobre Fernando Pessoa, que é seu poeta favorito.

    121 curtidas

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