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    Necrológio -

    Victor Giudice

    Edições O Cruzeiro
    1972
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    7 avaliações
    Leram6Lendo1Querem16Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados16Avaliaram7

    Antônio Olinto, O Globo, fevereiro de 1973 Necrológio é vanguarda e como tal tem de ser estudado. As narrativas que Victor Giudice reuniu aí são vocabularmente novas, estruturalmente novas e novas como aproveitamento de ritmos de narração.(...) Necrológio foge a classificações, mesmo que admitamos tratar-se de um livro de contos. Sua forma é poesia e/ou poesia-prosa, suas linhas são versos e seus versos se escachoam em ritmo de narrativa prosaica. A análise de cada parte, de cada trecho desses contos, nos leva a uma autópsia vocabular e conceptual e a uma decupagem, no sentido fílmico da palavra, capaz de pôr a nu as entranhas da palavra e da frase. Victor Giudice justapõe vocábulos, sons e simples sinais gráficos. Essa justaposição funciona com detonadora de uma explosão gestaltiana que faz o sentido de sua obra avançar muito além do que significaria normalmente. (...) Das treze narrativas do volume, gosto especialmente de Carta a Estocolmo, com seu personagem em busca da precisão temporal e um crescendo vocabular que mistura poesia e prosa.(...) O importante é que se leia Victor Giudice. Seu livro é vanguarda, é dos que fazem bem à literatura de um país. - Contos Brasileiros

    Resenhas (1)Ver mais
    algum leitor... picture
    algum leitor...29/01/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    "A ficção parece absurda porque é a realidade despojada de todas as mentiras."

    Quarto livro de minha meta literária de 2025, 'Necrológio' de Victor Giudice é uma coletânea de contos que abordam o absurdo da humanidade. A começar, o autor entitula sua obra de 'Necrológio' - exercício que se faz pós vida, onde você presume sua morte e simula uma terceira pessoa que narrará sobre os acontecimentos e sucessos alcançados de si mesmo em vida até o momento final de seus dias. Desta forma, Giudice trata em sua obra da morte e do fim de todas as relações sociais. O autor subverte começando a partir da linguagem de seus contos que vão quebrar a norma padrão, como denúncia social ao sistema vigente e suas respectivas instituições. A linguagem é fragmentada, trazendo partes de frases desconexas ou mesmo mentalizada pelos personagens e narrador, chegando até mesmo a se valer de símbolos, números e figuras de linguagens como onomatopeias, assonâncias e paronomasias para dar significado ao texto. Outras vezes, o silêncio fala por si, ou mesmo, a não compreensão do texto. As personagens são caracterizadas de formas muito exageraradas, como caricaturas deste modelo fatídico de universo. Elas estão totalmente presas aos seus destinos e sabem de seus respectivos papéis. Não há como subverter suas sinas. Isso é demonstrado no primeiro conto, talvez o mais famoso e emblemático, 'o arquivo', marcado por uma inversão de valores ao longo de sua narrativa, configurando um mundo de empresas, escritórios e funcionários, permeados pelo capitalismo voraz. O funcionário joão que o diga: sempre que recebe uma promoção seus salário é reduzido a tal ponto de viver em condições extremas de pobreza. O conto é de tamanha genialidade e o seu final nos reserva uma catarse ao estilo de realismo fantástico. Este é um livro difícil de se encontrar, pois foi editado pela gráfica O Cruzeiro e a minha edição é a primeira, de 1972. A obra de Victor Giudice vive certo esquecimento, pois seus livros não estão sendo republicados e apenas encontrados em sebos por altos preços. Uma pena, pois é uma literatura que chama a atenção de muitas coisas que vivenciamos nos dias atuais. Recomendo a leitura para quem tiver interesse.

    2 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 7
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas57%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Victor Marino del Giudice profile picture

    Victor Marino del Giudice

    Victor Giudice (1934-1997) nasceu em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. Aos cinco anos de idade mudou-se para São Cristóvão, transformado, segundo a crítica, em seu "grande sertão ficcional" , onde viveu mais da metade de sua vida. Foi professor, bancário, jornalista, músico, ensaísta e crítico. A partir de 1968, intensificou suas atividades como escritor, tendo publicado seis livros: O necrológio (contos, Editora O Cruzeiro, 1972), Os banheiros (contos, Editora Codecri,1979), Bolero (romance, Editora Rocco, 1985), Salvador janta no Lamas (contos, Editora José Olympio, 1989), O museu Darbot e outros mistérios (contos, Editora Leviatã,1994) e O sétimo punhal (romance, Editora José Olympio, 1996). Salvador janta no Lamas ganhou o Prêmio "Ficção 89", da Associação Paulista de Críticos de Arte. O museu Darbot e outros mistérios foi agraciado com a maior distinção literária do país, o Prêmio Jabuti, e foi lançado no Salão do Livro de Paris em 1998 (Le Musée Darbot et autres mystères, Editions Eulina Carvalho). Para o teatro, escreveu Baile das sete máscaras, inédito, e o monólogo Ária de serviço, encenado pela atriz Bete Mendes, no Centro Cultural Banco do Brasil, em 1991. Compôs e executou ao vivo a trilha sonora da peça Prometeus, do Grupo Mergulho no Trágico. Suas atividades como professor incluem, além de oficinas de criação literária, cursos de Introdução à Ópera, Wagner e Música Sinfônica, ministrados no Centro Cultural Banco do Brasil e em outras instituições. Participou das Rodas de Leitura, no CCBB, e na Casa da Leitura e viajou pelo país como conferencista. Vários de seus contos foram publicados nos Estados Unidos, Argentina, México, Portugal, Alemanha, Hungria, Polônia, Bulgária, Tchecoslováquia. Uma de suas narrativas mais populares, O arquivo, foi o conto brasileiro mais publicado no exterior. Outro conto, Carta a Estocolmo, foi considerado, nos Estados Unidos, um dos quinze melhores trabalhos de ficção científica de 1983 e consta da antologia Antaeus (The Ecco Press, Nova York, 1983). Publicou ensaios e resenhas no Jornal do Brasil, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Suplemento Literário do Minas Gerais, etc. Durante três anos assinou a coluna Intervalo, especializada em música erudita, no Jornal do Brasil, tendo sido esta sua última atividade. A editora José Olympio planeja a publicação de uma coleção que reunirá todos os seus contos. Do primeiro volume, programado para 1999, constarão O museu Darbot e outros mistérios e o romance inédito e inacabado Do catálogo de flores.

    7 Livros
    1 Seguidor
    Rio de Janeiro, Brasil

    Victor Marino del Giudice