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    Hermenêutica e Ideologias -

    Paul Ricoeur, Paul Ricoeur (Em Português)

    Vozes
    2008
    183 páginas
    6h 6m
    ISBN-13: 9788532637123
    Português Brasileiro
    4.5
    11 avaliações
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    A obra de Paul Ricoeur pode ser considerada uma das mais ricas e profundas de nossa época. Seu ponto de partida é uma análise rigorosa da vontade humana. Seu objetivo é atingir e formular uma teoria da interpretação do ser. A fenomenologia constitui um momento decisivo de sua metodologia, sendo que a originalidade de Ricoeur está em não fazer filosofia a partir da filosofia; não reflete a partir de idéias. Seu pensamento não se abriga nem repousa no pensamento dos outros como de um instrumento. Evidentemente, sua filosofia não constitui uma criação ex nihilo, um círculo que se fecha em si mesmo, porque não se pode haver filosofia sem pressuposições. Trata-se de um pensamento que se propõe a adotar um método reflexivo capaz de romper todo e qualquer pacto com o idealismo. De forma alguma pretende negar sua relação com o vivido; pelo contrário, tem em vista o esclarecimento, mediante conceitos, da existência. E esclarecer a existência é elucidar seu sentido. Por isso, o problema próprio a Ricoeur é o da hermenêutica, vale dizer, o da extração e da interpretação do sentido.

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    Elias Fontele picture
    Elias Fontele20/08/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Pertencimento e distanciamento

    Enquanto a hermenêutica defende que há um solo tradicional e histórico a que estamos sempre atados, a crítica às ideologias (dialética) defende que a distância gera ruídos interpretativos, fazendo o solo da tradição se transformar em ideologia (ilusão, alienação, manipulação). Ricoeur propõe nessa dualidade uma hermenêutica crítica dialética que trate tanto da nossa constituição ontológica (aquilo que somos a partir da historicidade) quanto da nossa constituição epistemológica (as condições de possibilidade para o conhecimento correto). Na tradição hermenêutica de Heidegger e Gadamer, a recepção à crítica das ideologias se dissolve, fazendo com que a tradição histórica irrompa como a constituição do ser que compreende sempre a partir de seus preconceitos (pré-compreensão, o Dasein). Essa falta de crítica e de um olhar para epistemologia incomodou Habermas, gerando a famosa querela entre Gadamer e o autor da ação comunicativa. A distorção da comunicação é algo mais presente que as remissões à tradição, algo que exige um cenário ideal. Em contraponto, Gadamer é também Ricoeur criticam em Habermas o suposto cenário ideal da comunicação, vista por uma crítica à ideologia que se supõe acima de qualquer ideologia. Para a hermenêutica, isso é impossível. Todos partimos de uma ideologia prévia, desde a formação familiar e histórica com as comunidades em que crescemos. E mais: sem ideologia (ilusões, e aqui estão inclusos os sonhos e a otimista esperança) não é possível projeto de pesquisa, pois nada há para se investigar se, antes, não partimos de um solo ideológico a que queremos responder ou ampliar. Livro fantástico em que Ricoeur propõe como novo capítulo da hermenêutica a questão sobre o pertencimento (tradição) e o distanciamento (distorção comunicativa) como fenômeno basilar da compreensão.

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    Paul Ricoeur

    Paul Ricoeur nasceu em Valence, França, em 1913. Catedrático em filosofia e doutor em Letras, tornou-se professor em 1933. Foi prisioneiro de guerra durante a Segunda Guerra Mundial. Trabalhou para o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), antes de se tornar professor na Faculdade de Estrasburgo e dar aulas na Sorbonne. Foi membro do comitê de redação da revista Esprit e decano da Faculdade de Letras da Universidade de Nanterre; dirigiu a Revue de Métaphysique et Morale. Nos Estados Unidos, lecionou na Universidade de Chicago. Morreu em Châtenay-Malabry, região de Paris, em maio de 2005.

    56 Livros
    26 Seguidores

    Paul Ricoeur