Os anos 90 do século passado foram uma época estranha. Eu sei porque estava lá, e se você esteve e se lembra disso vai concordar comigo. Naquela época a maior parte das pessoas achava que algo muito errado ia acontecer na virada do século e do milênio. Falavam em um bug nos computadores e no fim do mundo, que acabaram não acontecendo. Verdade seja dita que o bug do milênio não aconteceu por causa de milhares de programadores anônimos que ralaram muito para consertar os sistemas informatizados, mas ninguém lembra dos pobres coitados.
Esse medo de que tudo ia dar errado deu gás ao ressurgimento de antigas crenças, num movimento que se convencionou chamar de “New Age”. E foi para tirar sarro de todo esse arcabouço de crenças que “101 maneiras de evitar a reencarnação” foi escrito.
Usando como fio condutor a crença nas vidas sucessivas, a autora satiriza todas as crenças comuns à New Age. Tudo mesmo, nada fica de fora: zodíaco, tarô, vegetarianismo, terapias alternativas, holismo, budismo, ioga, bioenergética, acupuntura, incenso, experiências de quase-morte, hipnose, auras, quiromancia, e muito mais.
Os capítulos são curtos, raramente passam de uma página, e cheios de ironia. Alguns são em forma de testes divertidos, outros são listas e há até um guia de viagem para se aproveitar Atlântida gastando somente cinco dólares ao dia.
O tom é bem debochado mesmo, de comédia. Não chega a ser ofensivo em nenhum ponto. Esotéricos em geral costumam ser pessoas bem humoradas, e isso ajuda muito. Como é um livro curto, pode ser lido em pouco tempo, e garante boas risadas. Já é um livro antigo, mas você acha facilmente nos sebos online por aí, por módicas 15 dilmas. Vale a pena, as risadas que ele vai proporcionar vão fazer você economizar na conta do médico.