Simbolista e parnasiano nos primeiros livros, modernista nos subsequentes, Ronald de Carvalho deixou em todos a marca da cor, da luminosidade fulgurante, realizando uma poesia gráfica e nítida. Há em "Toda a América" um êxtase de metáforas e um paroxismo que faz pensar nas pulsações da febre. A nota pan-americana do autor corresponde a uma transposição ao plano continental do espírito nacionalista e cujos versos vêm caracterizados pela secura da linguagem, pelo predomínio da inteligência sobre a emoção. Sob o signo do cálculo, compôs seus versos. Ronald de Carvalho foi uma das figuras mais notáveis da Semana de Arte Moderna de 1922 e este livro é, sem dúvida, uma das mais belas declarações de amor à América Latina.
