Na introdução de “Mafalda 10 años” (Ediciones de la Flor, 1991), o jornalista Rodolfo Braceli lembra uma entrevista com Quino, em 1967, durante a qual, para vencer a timidez do entrevistado, pediu que ele respondesse às perguntas com desenhos. Cada resposta era uma pequena obra-prima de humor gráfico. A anedota serviria melhor ainda para apresentar “Gente en su sítio” (idem, 1993), uma coletânea de cartuns e historietas que mostra a facilidade do argentino para dizer tudo o que queria com imagens. A capacidade de explorar detalhes e de mostrar o absurdo presente no cotidiano mas que normalmente passa despercebido lembra a do conterrâneo Cortázar. De Mafalda, então, não há mais o que dizer. Falta uma ou outra tira inesquecível, mas seria impossível uma antologia que agradasse a todos e não deixasse muita coisa boa de fora. (Publicado também no Almanaque - http://almanaque.wordpress.com/2012/12/02/meninos-eu-li-29/)

