"Mais Forte que a Morte", situa o crime num cenário contemporâneo em que a violência das grandes cidades está presente, mas não é o elemento catalisador para um ou mais assassinatos. O preconceito é o maior tabu que os personagens enfrentam, pois é por temor da rejeição pública que ninguém, nesta história, é exatamente o que aparenta. A primeira vítima é um anti-herói sem caráter, que vive às custas das mulheres que conquista. Esse escroque serve de elo entre personagens de classes sociais e culturais diferentes, que estamos acostumados a encontrar no noticiário, como as mulheres bonitas em busca de sucesso instantâneo através da mídia, o político conservador que esconde sua homossexualidade atrás de um casamento de fachada ou crianças amadurecidas precocemente porque os pais se furtam a educá-las. A autora não cria personagens totalmente bons ou perversos ao extremo. Jeffrey Leach, o vigarista que troca de nome a cada nova mulher que convence a sustentá-lo, sente saudades dos filhos que abandonou, como qualquer pai separado. O político gay trata friamente a mulher com quem se casou, mas preocupa-se em garantir o patrimônio dela e dos enteados, embora deteste crianças. As esquisitices de personagens bizarros, que poderiam existir em qualquer época, como a jovem que tem mania de limpeza e vê fantasmas, são inseridas numa Londres moderna.
